O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, nesta terça-feira (22), a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Soberania e democracia
“Esta Assembleia […] agora deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação”, afirmou Lula.
O presidente também declarou que “a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável”, mas que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Sobre a democracia, afirmou: “Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”.
Brasil e Estados Unidos
A fala ocorreu em meio às tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Lula também criticou as tarifas adicionais impostas por Washington sobre produtos brasileiros.
“A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas. Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações”, declarou.
Crime organizado e inteligência artificial
Lula defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e criticou a corrida tecnológica sem regulamentação. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, afirmou.
Sobre inteligência artificial e redes digitais, criticou “tecno-oligarcas” e defendeu a regulamentação das plataformas.
PIX e comércio internacional
O presidente também defendeu o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX”, declarou.
Na área comercial, voltou a criticar o uso de tarifas como instrumento de pressão e defendeu o fortalecimento do multilateralismo.
Meio ambiente
Lula destacou a redução do desmatamento na Amazônia e afirmou que o Brasil pode conciliar desenvolvimento econômico, redução de emissões e preservação ambiental. Também defendeu a exploração de recursos naturais, como os da Margem Equatorial e terras raras, associada à geração de valor e transferência de tecnologia no país.
“Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”, concluiu.
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas reúne representantes dos 193 Estados-membros. Por tradição, o Brasil abre os discursos do debate geral, seguido pelos Estados Unidos.
Difusora1 com informações do g1