O governo Lula está finalizando os preparativos para o ato popular convocado para quinta-feira, 8 de janeiro, em Brasília, para relembrar os três ataques às sedes dos Três Poderes.
O presidente Lula quer dar caráter simbólico ao evento, que deve puxar mais uma vez o tema da defesa da democracia. Mas a ideia é evitar que os ataques dos Estados Unidos à Venezuela roubem a cena e acabem ganhando destaque na manifestação.
“O centro do ato de 8 de janeiro é a defesa da democracia e a condenação do golpismo. É o primeiro 8/1 após a condenação e prisão dos criminosos golpistas”, disse o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, em declaração enviada à CNN Brasil.
“É evidente que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques dos EUA (à Venezuela) e serão complementares no ato. O Brasil defende democracia com soberania nacional. E essa defesa estará presente no ato do 8/1”, completou o ministro.
Uma ideia colocada na mesa é transformar o evento em palco da assinatura veto de Lula ao projeto que reduz as penas dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro e trama golpista. Lula já vem sinalizando desde o fim do ano passado que pretende vetar o texto.
Embora haja um temor de que o veto no 8 de janeiro acirre os ânimos com parte do Congresso, até ontem à noite a proposta seguia na mesa, segundo fontes do Palácio do Planalto. Uma possibilidade ventilada, entretanto, é que Lula opte por um veto parcial, focado principalmente nos envolvidos na trama golpista.
O governo também pretende dar caráter popular ao evento. Além de uma solenidade prevista para ocorrer dentro do Palácio do Planalto, será instalado um telão na Esplanada dos Ministérios, que receberá representantes de movimentos sociais e da sociedade civil.
Se depender do script desenhado até agora, Lula deve inclusive descer a rampa para cumprimentar os participantes do ato. Representantes dos demais Poderes também foram convidados.
Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
D1 com CNN/Brasil