A taxa básica de juros Selic, atualmente em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, mantém elevado o custo do crédito imobiliário e restringe a demanda por financiamentos. Projeções de analistas e instituições financeiras indicam, no entanto, que esse cenário pode começar a mudar a partir de março de 2026, com o início de um ciclo de flexibilização monetária.
O mercado projeta que a Selic encerre 2026 em torno de 12,25%. A perspectiva de cortes reacende o debate sobre os impactos no crédito imobiliário, com possíveis efeitos sobre taxas de financiamento, volume de operações e ritmo de lançamentos no setor.
Segundo Murilo Arjona, especialista em financiamento imobiliário, a expectativa de juros mais baixos tende a favorecer tanto compradores quanto construtoras. “A redução da Selic pode baratear o crédito, facilitar a aprovação de financiamentos e estimular o setor da construção”, afirmou ao portal Terra. Para ele, 2026 pode marcar o início de uma fase mais favorável para quem pretende adquirir imóveis.
A Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e serve de referência para todas as taxas de juros da economia. Em patamares elevados, encarece financiamentos, empréstimos e o crédito ao consumo. Já a queda dos juros tende a ampliar o acesso ao crédito e estimular a atividade econômica.
No mercado imobiliário, linhas como o Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) são diretamente impactadas. Juros altos elevam o valor das parcelas, aumentam o custo total do financiamento e reduzem a aprovação de crédito. Com a expectativa de queda da Selic, a tendência é de recuo das taxas finais e dos spreads bancários.
O efeito deve ser mais significativo para famílias de renda média e alta que buscam financiamento fora dos programas habitacionais. Para o setor da construção civil, a melhora nas condições de crédito pode representar retomada de projetos, redução do custo financeiro das obras e maior ritmo de novos lançamentos.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
D1 com Paraíba Business