As investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ganharam novos desdobramentos e repercussão nacional após declarações da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), integrante da comissão, sobre a possível participação de igrejas e líderes religiosos em esquemas de fraude contra aposentados e pensionistas. As falas da parlamentar provocaram reação imediata do pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e culminaram na divulgação oficial de nomes de instituições e lideranças que já são alvo de requerimentos aprovados pela CPMI.
Veja o vídeos da senadora:
No último domingo (11), em entrevista ao SBT News, Damares afirmou que a comissão tem sofrido pressões constantes para dificultar o avanço das investigações, especialmente após a identificação de igrejas e pastores influentes nos esquemas de desvios. Segundo a senadora, há tentativas de lobby para impedir apurações sob o argumento de que investigações envolvendo grandes lideranças religiosas poderiam causar frustração entre os fiéis. Ela relatou que o tema causa “tristeza e desconforto”, mas destacou que o trabalho da CPMI tem avançado além das expectativas iniciais.
As declarações geraram forte reação do pastor Silas Malafaia, uma das principais lideranças evangélicas do país. Também no domingo, ele usou as redes sociais para lançar um “desafio” público à senadora, cobrando que ela apresentasse provas e citasse nomes de igrejas e líderes supostamente envolvidos nas fraudes. Em publicações, Malafaia afirmou que divulgaria um vídeo questionando as acusações e classificou as declarações como graves, caso não fossem acompanhadas de informações concretas.
Veja o vídeo de Malafaia:
A resposta de Damares veio nesta quarta-feira (14), quando a senadora divulgou, em suas redes sociais, uma lista de igrejas e líderes evangélicos que tiveram pedidos de convocação, convite para depoimento ou quebra de sigilo aprovados pela CPMI do INSS. Segundo a parlamentar, todas as informações são públicas, constam em requerimentos oficiais da comissão e se baseiam em documentos como Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e dados da Receita Federal.


Entre as instituições citadas estão a Adoração Church, a Assembleia de Deus Ministério do Renovo, o Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) e a Igreja Evangélica Campo de Anatote. Também aparecem pedidos envolvendo líderes religiosos como André Machado Valadão, César Bellucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes, além de solicitações de quebra de sigilo relacionadas a Valadão.
Damares ressaltou que a CPMI investiga um esquema de alcance nacional envolvendo descontos indevidos e empréstimos consignados irregulares aplicados a aposentados e pensionistas, com milhares de documentos já analisados e pedidos para suspensão de milhões de contratos considerados suspeitos. Ela afirmou ainda que foi autora do requerimento que deu origem à CPMI, instalada em 2025, e que atua como membro titular desde o início dos trabalhos.
Após a divulgação da lista, Silas Malafaia voltou a se manifestar, acusando a senadora de contradição. Para o pastor, as declarações iniciais foram “levianas” por utilizarem termos como “grandes igrejas” e “líderes renomados” sem a identificação imediata dos envolvidos. Malafaia também afirmou que apenas um dos nomes citados teria projeção nacional e que as igrejas mencionadas não se enquadrariam, em sua avaliação, como grandes denominações. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele reiterou as críticas e cobrou que a senadora esclareça quem teria tentado interferir nas investigações.

Enquanto o embate público se intensifica, a CPMI do INSS segue em andamento. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que em fevereiro será apresentado um primeiro balanço dos trabalhos e defendeu a prorrogação do prazo da CPMI por mais 60 dias, além do encerramento previsto para março, alegando a necessidade de mais tempo para análise de documentos e oitiva de depoentes.
Foto: Agência Senado, Reprodução/X
Redação D1 com Tribuna do Norte/Uol/TCM