PF apreendeu no BRB agenda com anotações sobre carteiras: “Senão, o Master vai quebrar”

A Polícia Federal apreendeu no Banco de Brasília (BRB), durante a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, uma agenda com anotação sobre reunião da cúpula da instituição financeira envolvendo as carteiras de crédito compradas do Banco Master.

A agenda, que pertenceria à diretoria de Controle e Riscos, Luana de Andrade Ribeiro, faz referência ao que foi debatido no dia 11 de julho de 2025. A anotação diz: “Presidente afirmou, novamente, que faz-se necessário efetuar as compras de carteiras, afirmando que esses créditos foram verificados e que, se não houver, o Master vai quebrar”. Entre os presentes, estavam o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; o ex-diretor Financeiro, Dario Oswaldo Garcia Júnior; e o diretor Jurídico, Jacques Veloso.

A informação foi revelada pela delegada da PF Janaina Palazzo durante depoimento do ex-presidente do BRB, obtido pelo Metrópoles. Costa disse, na oitiva, que não se tratava de uma “afirmação de salvamento”, e emendou que, àquela altura, o BRB estava fazendo a substituição das carteiras de crédito adquiridas do Banco Master.

“No meu papel de zelar pelo BRB, eu precisava ganhar tempo para que a gente pudesse substituir as carteiras. Se a gente olhar essa data, a gente está no meio do processo de substituição de carteiras. Então, toda as cessões que fizemos ao longo desse período final tinha dois objetivos: cumprir nosso objetivo de mudar a carteira do banco e aumentar a rentabilidade que está prevista no planejamento, e permitir que a gente fizesse as substituições”, declarou.

Na ocasião, inicialmente, a investigadora questionou se havia preocupação para o BRB comprar o Banco Master “o mais rápido possível para evitar quebra”.

Costa negou e declarou que “o BRB nunca teve compromisso ou qualquer ideia de viabilizar salvação do Master”.

Se ia quebrar ou não ia quebrar, no final, seria problema dele”, enfatizou. O ex-presidente do banco, afastado no contexto das investigações e posteriormente destituído da função, completou afirmando que a oferta final do BRB para o Master excluiria R$ 51 bilhões de ativos e passivos.

“O modelo de negócio, desde o primeiro momento que o BRB negociou, nunca envolveu compra total do Banco Master. Naquela primeira proposta, do inicio do processo de auditoria, estávamos eliminando R$ 23 bilhões. Com o avançar da auditoria, isso evoluiu para R$ 51 bilhões. Então, um contrato que tem conjunto de cláusulas precedentes, que obriga reorganização societária, que exclui volume como esse de ativos, nunca poderia ser tratado como contrato de salvação do Master”, afirmou na oitava de 30 de dezembro de 2025.

Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

D1 com Metrópoles

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