INSS: publicitária do PT liga Careca a consultoria fake de R$ 371 milhões

A publicitária Danielle Miranda Fonteles ligou o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, a uma firma de consultoria com movimentação milionária e indícios de ser de fachada.

Mesmo sem site próprio ou páginas nas redes sociais e tendo como dono um auxiliar de serviços gerais de 25 anos, a Spyder Consultoria movimentou R$ 371 milhões nos primeiros seis meses do ano passado. A movimentação é uma das maiores já encontradas pela CPMI do INSS no Congresso, que requisitou a quebra do sigilo da Spyder.

No relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à CPMI do INSS, há um pagamento de R$ 200 mil da Spyder a Danielle Fonteles.

Procurada pela coluna, Fonteles disse, em nota, que não conhecia a Spyder e que o pagamento foi ordenado pelo Careca do INSS. Segundo ela, o pagamento fazia parte da negociação da venda de uma casa no distrito de Trancoso, em Porto Seguro (BA). Leia a íntegra da nota de Danielle abaixo.

A coluna também procurou a advogada Danyelle Galvão, responsável pela defesa técnica do Careca, mas ela disse que ele não irá comentar.

Responsável por várias campanhas eleitorais do PT — inclusive a de Dilma Rousseff em 2010 —, Danielle Fonteles é apontada pela Polícia Federal como sócia do Careca do INSS na Cannabis World, a empresa de maconha medicinal dele, em Portugal.

Mensagens reveladas pela coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles, mostram que Danielle coordenava a operação de cannabis do Careca no país ibérico. “Pessoal, criei esse grupo para acompanharmos passo a passo o trabalho de avaliação do Projeto Cannabis em Aveiro (Sync Nature)”, diz uma mensagem dela no WhatsApp, enviada em 17 de outubro de 2024.

Como a CPMI do INSS chegou à Consultoria Spyder

A Spyder começou a ser investigada pela CPMI do INSS por ter recebido recursos de outra empresa, a Dinar S/A Participações, que era usada pelo Careca do INSS.

A Dinar S/A, por sua vez, recebeu milhões de reais da Arpar — pertencente ao Careca — e também da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), outra entidade investigada na Farra do INSS. A Dinar S/A é apenas uma entre várias empresas usadas pelo Careca.

Nos seis primeiros meses de 2025, a Spyder Consultoria recebeu R$ 185,5 milhões em créditos e pagou R$ 185,8 milhões em débitos. De acordo com os critérios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), essa movimentação seria suficiente para caracterizá-la como uma grande empresa (receita bruta acima de R$ 300 milhões por ano).

Segundo dados da Junta Comercial de São Paulo, a Spyder Consultoria foi registrada em 13 de dezembro de 2024. Duas semanas depois, em janeiro de 2025, a empresa já havia movimentado pouco mais de R$ 16 milhões, segundo dados da Receita Federal do Brasil enviados à CPMI do INSS.

Na Receita, a empresa aparece registrada em um prédio comercial no Tatuapé, na zona leste de São Paulo (SP). O capital social é de apenas R$ 120 mil — ou 0,032% dos R$ 371 milhões movimentados pela Spyder no primeiro semestre do ano passado.

Íntegra da nota da defesa de Danielle Fonteles

Leia abaixo a nota enviada pela defesa de Danielle Fonteles à coluna, na íntegra. O texto é assinado pelos advogados Maria Luiza Diniz e Michelangelo Corsetti.

“O valor de R$ 200 mil transferidos pela empresa Spyder é referente ao pagamento parcial de uma das 13 parcelas previstas para a aquisição de um imóvel em Trancoso, no sul da Bahia. Ao contrário das parcelas anteriores, quando as transferências (todas documentadas e com os respectivos impostos recolhidos) foram feitas de contas de Antônio Antunes, esse valor, bastante inferior ao valor de R$ 1 milhão previsto em contrato, partiu de uma conta da Spyder. Até o depósito bancário, Danielle Fonteles não tinha conhecimento da existência dessa empresa.

Em razão de o pagamento não corresponder ao valor integral da parcela e por Antunes ter perdido a capacidade de honrar o compromisso financeiro, a venda do imóvel foi desfeita por meio da assinatura de um distrato de compra e venda. Documentos que comprovam a negociação da casa foram apresentados à CPMI do INSS e ao Supremo Tribunal Federal (STF).”

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

D1 com Metrôpoles

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