Cajazeiras inicia implantação do contraceptivo subdérmico pelo SUS, anuncia Fabrícia Oliveira da secretaria de saúde; ouça

A Secretaria Municipal de Saúde de Cajazeiras deu início à implantação do método contraceptivo subdérmico na atenção primária do município. O anúncio foi feito por Fabrícia Oliveira, representante da Secretaria de Saúde, durante entrevista ao programa Sempre Alerta, da Rádio Patamuté, nesta quinta-feira (29). A iniciativa marca um avanço importante na ampliação do acesso das mulheres a métodos contraceptivos modernos e de alta eficácia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Logo no início da entrevista, Fabrícia Oliveira destacou o papel fundamental da gestão municipal para a concretização do serviço. “Primeiramente, gostaria de agradecer à secretária Laiane, à gestão, porque, de certa forma, nós não estaríamos dando esse início de forma prematura ao contraceptivo subdérmico na atenção primária de Cajazeiras se não fosse o apoio da gestão”, afirmou. Segundo ela, o início do serviço só foi possível graças à parceria entre o Ministério da Saúde e o Governo do Estado, que ofertaram capacitação específica para os profissionais do município.

Cajazeiras está entre os 11 municípios paraibanos contemplados inicialmente para a implantação do método, critério definido a partir do número de habitantes. “Cajazeiras foi uma das contempladas por possuir acima de 50 mil habitantes. Está sendo um privilégio para todos nós, visto que anteriormente era um contraceptivo apenas a nível da rede privada”, explicou Fabrícia. Agora, com a oferta pelo SUS, o método passa a ser uma opção acessível para mulheres de diferentes realidades sociais.

De acordo com a representante da Secretaria de Saúde, o contraceptivo subdérmico amplia a autonomia feminina na escolha do método mais adequado às suas condições de saúde. “O SUS está oportunizando todas as mulheres a escolherem o contraceptivo que melhor se adequa às suas condições de saúde”, ressaltou.

Neste primeiro momento, conforme orientação do Ministério da Saúde, alguns públicos estão sendo priorizados. Entre eles, as adolescentes. Fabrícia destacou os riscos associados à gravidez não planejada nessa fase da vida. “Durante a adolescência, uma gravidez não planejada traz um risco gestacional muito alto, que pode evoluir para uma morte materno infantil”, alertou. Por isso, segundo ela, a Secretaria tem reforçado a busca ativa e as ações de prevenção da gestação precoce.

Outros grupos prioritários incluem mulheres com condições específicas de saúde, que não se adaptam a outros métodos contraceptivos, além daquelas em situação de maior vulnerabilidade social. “O Ministério da Saúde pede que a gente priorize também aquelas mulheres que já têm diversos filhos, que vivem em vulnerabilidade social, psicológica, mulheres convivendo com HIV ou em situação de rua”, explicou.

Fabrícia informou ainda que todas as mulheres entre 14 e 49 anos que tenham interesse em utilizar o método devem procurar a Unidade Básica de Saúde. “Devem buscar a unidade básica de saúde para conversar com o médico ou com o enfermeiro da atenção primária para esclarecer suas dúvidas, até mesmo porque é um método novo, pouco conhecido na atenção primária”, orientou. Ela reforçou que existem contraindicações e que a avaliação profissional é essencial para definir o método mais adequado para cada mulher.

Durante a entrevista, Fabrícia Oliveira também destacou a alta eficácia do contraceptivo subdérmico, conhecido popularmente pela marca Implanon. “Atualmente, o contraceptivo subdérmico é mais eficaz do que a própria laqueadura tubária. Ele tem uma eficácia de mais de 99% de proteção contra uma gravidez não planejada”, afirmou. O dispositivo tem duração de até três anos, sendo implantado no braço da paciente. “Ele fica alojado durante três anos e somente após esse período é realizada a troca”, explicou, ressaltando que o procedimento não é doloroso, pois é feita anestesia local.

Questionada pela repórter Josy Aquino sobre a possibilidade de uso do método por mulheres que já realizaram laqueadura, Fabrícia reforçou a importância da avaliação médica. “É interessante que você converse com o profissional porque existem alguns casos de, mesmo as mulheres estando laqueadas, ocorrer uma gestação não planejada”, alertou.

Ela relatou, inclusive, um caso ocorrido no próprio município. “Uma das primeiras mulheres que fizeram a inserção era laqueada, engravidou de gêmeos, teve uma gravidez altamente complicada, evoluiu para um parto prematuro e, infelizmente, os bebês não sobreviveram”, contou. Diante do risco de novas complicações, a inserção do contraceptivo foi indicada para preservar a saúde da paciente.

Ao final, Fabrícia reforçou a importância da orientação correta. “Por isso que é interessante sempre buscar a consulta, a orientação do profissional de saúde para que ele esteja indicando o uso ou não do contraceptivo subdérmico. Implanon é a marca, mas o que estamos oferecendo é o método contraceptivo subdérmico”, concluiu.

A implantação do serviço em Cajazeiras representa um passo significativo na política de saúde da mulher, ampliando o acesso a métodos contraceptivos seguros, eficazes e gratuitos, fortalecendo a atenção primária e a prevenção de gestações não planejadas no município.

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Redação D1

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