Na semana de retomada dos trabalhos do Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu investir em uma estratégia política já utilizada em mandatos anteriores: o diálogo direto e informal com o Legislativo. Na próxima quarta-feira (04), o chefe do Executivo deve receber os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, além de líderes da base governista, em um churrasco na Granja do Torto, em Brasília, em uma tentativa de aproximar relações e alinhar expectativas para o início do ano legislativo.
A informação foi confirmada pelo líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), que afirmou que os detalhes do encontro ainda estão sendo ajustados e devem ser definidos até está segunda-feira. Interlocutores do presidente da Câmara, Hugo Motta, já indicaram que ele deve participar do evento. Motta, inclusive, declarou recentemente que um eventual apoio a Lula no palanque da Paraíba dependeria de gestos concretos do Planalto, o que aumenta o peso político da iniciativa.
No Palácio do Planalto, a avaliação é de que o ambiente descontraído pode ajudar a reforçar a unidade da base governista logo no início do ano, em um momento considerado estratégico por anteceder o calendário eleitoral. Aliados relatam que Lula costuma estimular encontros que não se limitem a debates estritamente políticos, buscando criar um clima de confiança, troca de impressões e ajustes na estratégia do governo para os próximos meses, com o objetivo de fortalecer relações e destravar votações no Congresso.
Antes mesmo da confraternização, Lula deve se encontrar com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, durante a abertura do ano do Judiciário, marcada para a próxima segunda-feira, dia 2, às 14h. No mesmo dia, o Congresso retoma oficialmente suas atividades com uma pauta extensa e considerada prioritária pelo governo, que inclui a análise do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia e a Medida Provisória do Gás do Povo, que perde validade no dia 11 de fevereiro.
Outros temas sensíveis também estão no radar do governo para as próximas semanas, como a PEC da Segurança Pública, que pode ser votada em comissão especial no fim de fevereiro, o projeto antifacção — que cria um imposto sobre apostas online com potencial de arrecadação de até R$ 30 bilhões por ano —, além da regulamentação dos trabalhadores de aplicativos e do debate sobre o fim da escala 6×1. Permanecem pendentes ainda a análise do veto à lei da dosimetria e a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. A avaliação interna é de que o Planalto precisa avançar no maior número possível de matérias ainda no primeiro semestre, antes que o foco do Congresso seja dominado pelas eleições.
Redação D1