PT na Paraíba vive impasse sobre eleições estaduais após declarações de Luiz Couto e reação da direção partidária

As declarações do deputado federal Luiz Couto (PT-PB) sobre o posicionamento do Partido dos Trabalhadores nas eleições estaduais da Paraíba geraram forte repercussão e evidenciaram divergências internas na legenda. Em entrevistas concedidas nesta sexta-feira (6) a emissoras de rádio da capital, o parlamentar afirmou que a direção nacional do PT teria liberado os filiados para apoiar diferentes candidaturas ao Governo do Estado, diante da ausência de um nome próprio do partido na disputa. Segundo Couto, essa orientação teria partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante entrevista à rádio Correio 98 FM, Luiz Couto declarou que o PT deveria ter construído uma candidatura própria ao governo estadual, o que, segundo ele, não ocorreu. “Lula deixou livre. O partido vai deixar livre pra decidir. Nós não temos candidato”, afirmou, reconhecendo, ao mesmo tempo, que existem setores internos que ainda defendem a construção de uma candidatura petista. Em outra entrevista, ao programa Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan FM, Couto reforçou a tese da liberação e acrescentou que o PT não apoiará a pré-candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), ao Governo do Estado. “O partido não vai tomar decisão, não. O partido vai deixar livre”, disse.

O deputado também lembrou que, segundo ele, já existe um compromisso do PT com a candidatura do governador João Azevêdo ao Senado, o que influenciaria o cenário estadual. Nos bastidores, a fala de Couto foi interpretada como um indicativo de apoio pessoal ao vice-governador Lucas Ribeiro, posição que ele próprio não esconde, mas que passou a ser tratada como ponto de tensão dentro do partido.

As declarações, no entanto, foram prontamente rebatidas pela presidenta estadual do PT na Paraíba, deputada Cida Ramos, que negou qualquer liberação formal dos filiados e afirmou que a fala de Luiz Couto não representa a posição oficial da legenda. Em entrevistas ao mesmo programa Arapuan Verdade e em outras declarações públicas, Cida foi enfática ao afirmar que não houve orientação do presidente Lula nesse sentido.

“A fala do deputado federal Luiz Couto não reflete o que nós estamos discutindo e a posição do partido”, afirmou Cida Ramos. Segundo ela, o posicionamento do parlamentar é individual e não pode ser tratado como uma deliberação partidária. A presidente estadual do PT ressaltou que participa de reuniões frequentes com a direção nacional da legenda, incluindo encontros com o presidente do partido, Edinho Silva, além de ministros e dirigentes, e garantiu que em nenhum desses momentos houve discussão sobre liberar oficialmente os filiados.

Cida Ramos também destacou que o processo eleitoral ainda está em curso e que qualquer decisão sobre alianças ou candidaturas passa, obrigatoriamente, pelas instâncias partidárias. “Quem fala e quem delibera é a instância partidária. A direção estadual dialoga praticamente todos os dias com a direção nacional”, explicou. Ela acrescentou ainda que não se pode cobrar uma definição imediata apenas do PT, lembrando que outros partidos importantes, como União Brasil e MDB, também não fecharam posição nacionalmente.

Para a dirigente, o PT segue como um ator central no cenário político paraibano. “O PT é um partido importante no processo eleitoral da Paraíba, pelo tempo de televisão, pela militância e pela capacidade de alterar o jogo político”, avaliou. Ao final, Cida concluiu que a ideia de liberação levantada por Luiz Couto “simplesmente não existe” dentro das decisões formais do partido.

O episódio expõe as divergências internas do PT na Paraíba e evidencia que, apesar das declarações públicas de lideranças individuais, a legenda ainda não definiu oficialmente sua estratégia para a disputa ao Governo do Estado, mantendo o debate em aberto nas instâncias partidárias.

Redação D1

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