Os preços no carnaval de 2026 aumentaram 8,6%, superando a inflação média de 4,3%. A alimentação fora de casa teve os maiores reajustes, com destaque para o cafezinho (+15,5%) e lanches (+11,4%). O turismo e o lazer também contribuíram para a pressão inflacionária, com variações de até 10,1% em clubes e 9,6% em hospedagens. Mobilidade e vestuário apresentaram reajustes menores, ajudando a conter a pressão sobre o orçamento do consumidor. Os preços no carnaval refletem a dinâmica recente da inflação brasileira, concentrando-se nos serviços devido à alta demanda.
Segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a chamada cesta de carnaval, que reúne bens e serviços associados ao lazer, turismo e alimentação fora do domicílio, acumulou elevação de 5,6% no período. O recorte reforça que a pressão inflacionária sobre os preços no carnaval não se distribui de forma homogênea pela economia, mas se concentra nos Serviços, especialmente em datas de demanda intensa.
O levantamento indica que a alimentação fora de casa concentra os maiores reajustes, pressionando gastos cotidianos durante a folia, mesmo em itens de consumo simples e recorrente. Principais altas no período:
- Cafezinho: +15,5%
- Lanches: +11,4%
- Vinho: +10,9%
- Sorvete: +10,2%
As variações superam com folga o IPCA geral, reforçando o peso da alimentação no custo total do Carnaval. Segundo a FecomercioSP, esses aumentos refletem o custo do serviço agregado ao consumo. Aluguel comercial, despesas trabalhistas e energia elétrica pressionam os preços praticados por bares, restaurantes e pontos de venda temporários. Além disso, a elevada concentração da demanda em poucos dias amplia o poder de precificação dos estabelecimentos.
Turismo, lazer e limites de oferta
Os dados mostram que turismo e diversão também ampliam a pressão sobre os preços no Carnaval, refletindo a combinação de demanda concentrada, oferta ajustada e repasses de custos no setor de serviços. Principais variações em 12 meses:
- Turismo e diversão: +8,2%
- Clubes: +10,1%
- Hospedagens e casas noturnas: +9,6%
- Pacotes turísticos: +7,1%
O conjunto reforça que o encarecimento dos gastos no carnaval vai além do consumo imediato e alcança lazer, hospedagem e experiências associadas ao período.
Para Fabio Pina, assessor da FecomercioSP, trata-se de um ajuste típico de períodos festivos. “É uma pressão inflacionária setorial, sazonal e concentrada nos Serviços, não um aumento generalizado de preços”, afirma. Quando a ocupação se aproxima do limite da capacidade instalada, os valores são ajustados para capturar maior disposição a pagar.
Mobilidade e vestuário
Na mobilidade e no vestuário, os reajustes foram mais contidos, funcionando como contraponto parcial às altas concentradas em lazer e serviços no período do Carnaval. Variações em 12 meses:
- Mobilidade urbana: +4,6%
- Transporte público: +9,2%
- Estacionamento: +6,4%
- Combustíveis: +2,3% (abaixo do IPCA)
- Vestuário: +4,2%
A concorrência elevada e as liquidações de início de ano ajudam a conter preços no vestuário, reduzindo parte da pressão sobre o orçamento do consumidor.
Com o levantamento, a FecomercioSP avalia que os gastos no carnaval refletem o padrão recente da inflação brasileira, marcada pela pressão nos Serviços. Mesmo com juros elevados desacelerando parte do varejo, a renda disponível, maior que a de um ano atrás, sustenta o consumo em eventos, festas e turismo.
Nesse cenário, os preços no carnaval deste ano funcionam como um termômetro. Ele expõe como a inflação atual se organiza menos pela escassez de produtos e mais pela dinâmica do serviço associado ao consumo coletivo, reforçando um padrão que tende a se repetir em grandes eventos ao longo do ano.
D1 com Paraíba Business
Fonte: Economic News