Médica investigada por morte de criança em São João do Rio do Peixe comprova inocência durante apuração do Ministério Público

Uma médica que estava sendo investigada por suposta negligência no atendimento a uma criança de três anos, que morreu após dar entrada em unidade hospitalar na região de Cajazeiras, conseguiu comprovar sua inocência ainda na fase inicial das investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado da Paraíba.

O caso ocorreu em abril de 2022, no município de São João do Rio do Peixe, no Sertão paraibano. A criança, que morava em Poço de José de Moura, começou a sentir fortes dores abdominais e foi levada ao Hospital Municipal de São João do Rio do Peixe.

Dois atendimentos antes da transferência

De acordo com as informações apuradas, no primeiro atendimento a criança foi examinada por um médico, recebeu medicação e foi liberada. No entanto, as dores persistiram e o quadro clínico se agravou, o que levou os familiares a retornarem ao hospital pela segunda vez.

Foi nesse momento que a médica — que teve o nome preservado — assumiu o atendimento. Ao avaliar a paciente, ela constatou que o estado de saúde era grave, com dor abdominal intensa e sinais de piora clínica. Diante da situação, a profissional entrou imediatamente em contato com o Hospital Universitário Júlio Bandeira (HUJB), em Cajazeiras, unidade de referência para casos de maior complexidade na região.

Segundo relatos, o hospital informou inicialmente que não havia leitos disponíveis, inclusive nas áreas de atendimento de urgência conhecidas como “sala vermelha” e “sala amarela”. A indisponibilidade de vagas teria provocado atraso na transferência.

Transferência e óbito

Após a liberação de um leito — possibilitada depois que outro paciente foi transferido para a cidade de Patos — a criança foi encaminhada ao HUJB por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Apesar dos esforços, devido à gravidade do quadro, ela não resistiu e morreu horas depois.

A morte gerou comoção na região e motivou a abertura de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar possível negligência médica.

Defesa sustenta atuação correta

O advogado Moises Figueiredo, responsável pela defesa da médica, afirmou que ficou comprovado durante a investigação que sua cliente prestou toda a assistência necessária.

Segundo ele, a médica agiu de forma imediata ao perceber a gravidade do caso, iniciando contato com o hospital de referência e lutando pela transferência da criança. O advogado destacou ainda que profissionais de saúde, familiares da vítima e até o prefeito de São João do Rio do Peixe teriam presenciado os esforços realizados para garantir o atendimento adequado.

“A nossa cliente só teve contato com a criança no segundo atendimento. Ela saiu da unidade com vida e devidamente encaminhada. Conseguimos comprovar a inocência ainda na fase do Procedimento Investigatório Criminal. Lamentamos profundamente a perda irreparável e esperamos que os verdadeiros responsáveis sejam responsabilizados nos termos da lei”, declarou o defensor.

Investigação segue em andamento

Embora a médica tenha sido excluída do rol de investigados, o procedimento continua em tramitação. No momento, a apuração permanece voltada para o Hospital Universitário Júlio Bandeira, a fim de esclarecer as circunstâncias relacionadas à disponibilidade de leitos e à condução do atendimento após a transferência.

O caso segue sob análise das autoridades competentes.

Foto: Reprodução

Redação D1 com Debate Paraíba

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