Agropecuária cresce 11,7% e puxa PIB do Brasil em 2025

A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3/3/2026) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o Produto Interno Bruto (PIB) totalizou R$ 12,7 trilhões no ano.

O resultado confirma uma desaceleração em relação a 2024, quando o país registrou expansão de 3,4%. Ainda assim, o Brasil completa cinco anos consecutivos de crescimento econômico. No quarto trimestre, o avanço foi de 0,1% frente aos três meses anteriores, indicando estabilidade na reta final do ano.

Agro puxa crescimento

O principal motor da economia em 2025 foi a agropecuária, que avançou 11,7%, impulsionada por recordes na produção de milho (23,6%) e soja (14,6%). O desempenho do campo teve papel estratégico para sustentar o crescimento em um cenário de política monetária restritiva, com a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano.

O setor de serviços cresceu 1,8%, mesmo diante do custo elevado do crédito. Destaque para informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras (2,9%) e transporte (2,1%).

A indústria avançou 1,4%, puxada principalmente pelas indústrias extrativas (8,6%), com maior extração de óleo e gás. Por outro lado, as indústrias de transformação (-0,2%) e os segmentos de eletricidade, gás, água e esgoto (-0,4%) registraram retração.

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, quatro atividades, agropecuária, indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços, contribuíram com 72% do total do volume do valor adicionado em 2025, atividades estas menos afetadas pela política monetária contracionista [juros elevados].

    Consumo desacelera e investimento avança

    Pela ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3%, ritmo inferior ao de 2024 (4,8%). A desaceleração já era esperada pelo mercado diante dos juros elevados e do alto nível de endividamento das famílias.

    O consumo do governo avançou 2,1%. Já os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceram 2,9%, impulsionados pela importação de bens de capital, software e desempenho da construção. A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, ligeiramente abaixo dos 16,9% registrados no ano anterior.

    As exportações cresceram 6,2%, enquanto as importações avançaram 4,5%, reforçando a contribuição do setor externo para o resultado anual.

    Entre outubro e dezembro, o PIB cresceu apenas 0,1% frente ao terceiro trimestre. Serviços (0,8%) e agropecuária (0,5%) avançaram, enquanto a indústria recuou 0,7%, pressionada pela queda na construção (-2,3%) e nas indústrias de transformação (-0,6%).

    Pelo lado da despesa, o consumo do governo cresceu 1%, o consumo das famílias ficou estável e os investimentos caíram 3,5% no período.

    Foto: Reprodução/CNN

    D1 com Paraíba Business

    Gostou Compartilhe..