Pelo segundo dia consecutivo, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro esteve na sede da Polícia Federal, em Brasília, para dar continuidade às tratativas de uma delação premiada. O acordo, que é tratado nos bastidores como uma “bomba-relógio” para o mundo político, deve levar pelo menos dez dias para ser formalizado. Atualmente, Vorcaro cumpre prisão isolado em uma cela de 15 metros quadrados, sem acesso direto a televisão e sob rígido controle de comunicação.
A transferência para a Superintendência da PF é a quinta do banqueiro em apenas 15 dias. Para que o acordo seja aceito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal, os investigadores exigem que a delação seja completa e atinja o “andar de cima” da política, sem poupar nomes relevantes.
Regras da delação e novos alvos
Para obter benefícios como a redução de pena, Vorcaro precisará apresentar provas robustas, datas e detalhar os personagens envolvidos nos crimes investigados. Todo o conteúdo do acordo ainda dependerá de homologação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A negociação abriu caminho para que outros investigados também considerem a colaboração. Fabiano Zettel, cunhado e braço-direito do banqueiro, já avalia a possibilidade de assinar um acordo próprio. Apontado pela PF como o operador financeiro do esquema, Zettel é suspeito de gerenciar pagamentos a uma milícia privada criada por Vorcaro para intimidar desafetos.
Decisão no STF e críticas de Gilmar Mendes
No Judiciário, a Segunda Turma do STF formou unanimidade para manter a prisão de Daniel Vorcaro. O voto decisivo foi do ministro Gilmar Mendes, que aproveitou a ocasião para tecer críticas à condução do caso e ao ministro relator, André Mendonça.
Mendes alertou para o risco de vazamentos de informações à imprensa, afirmando que tais dados podem gerar um pré-julgamento do caso. O decano comparou a atual investigação aos métodos da Operação Lava-Jato, ressaltando que o desrespeito ao direito de defesa e às regras processuais pode criar “espuma midiática” e linchamentos morais que cobram um preço alto no futuro.
Enquanto o embate jurídico prossegue, a perícia técnica da Polícia Federal continua concentrada nos dispositivos eletrônicos do banqueiro. Dos nove celulares apreendidos, apenas um passou por perícia completa até o momento. Os dados extraídos desses aparelhos devem ser cruzados com os depoimentos da eventual delação para incluir novas autoridades nas investigações.
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D1 com Band.com