O governador da Paraíba, João Azevêdo, lançou luz sobre o atual cenário político do estado ao comentar as especulações em torno da possível desistência do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, de disputar o Governo nas próximas eleições. Para o chefe do Executivo estadual, uma eventual permanência do gestor na capital não seria surpresa, diante da falta de unidade entre as forças de oposição.
Durante entrevista e coletiva de imprensa nesta segunda-feira (30), João Azevêdo afirmou que acompanha o tema a partir das informações divulgadas pela mídia e destacou que uma candidatura ao governo exige uma base política sólida e organizada — algo que, segundo ele, ainda não se concretizou.
“Só sairia se tivesse uma base harmonicamente organizada para dar sustentação. E, pelo que parece, essa harmonia que deveria existir na chapa de oposição não está acontecendo”, declarou o governador. Ao ser questionado diretamente se veria com surpresa uma eventual desistência de Cícero, foi enfático: “Não, pra mim não”.
A avaliação de João Azevêdo encontra eco no atual cenário interno do MDB, partido de Cícero Lucena, que vive um momento de divisão entre seus principais quadros. Levantamento recente aponta que prefeitos da legenda estão distribuídos entre diferentes projetos políticos, o que reforça a percepção de falta de coesão.
Nesse contexto, o vice-governador Lucas Ribeiro desponta como o nome com maior apoio entre prefeitos emedebistas, reunindo 11 gestores municipais. Já Cícero Lucena aparece com seis apoios, número considerado instável justamente pela incerteza sobre sua candidatura. O senador Efraim Filho conta com o respaldo de dois prefeitos, enquanto outros cinco ainda permanecem indefinidos.
A divisão do MDB evidencia um partido fragmentado e sem consenso em torno de um projeto majoritário, cenário que reforça o diagnóstico apresentado por João Azevêdo sobre a dificuldade da oposição em construir uma candidatura competitiva e unificada.
Além disso, o crescimento do apoio ao nome de Lucas Ribeiro, mesmo sendo de fora da legenda, mostra a movimentação de forças políticas que ultrapassam as fronteiras partidárias e ampliam ainda mais a complexidade do quadro eleitoral.
Nos bastidores, a expectativa é de que o MDB ainda passe por negociações internas antes de definir seu posicionamento oficial. No entanto, as declarações do governador colocam em evidência um ponto central da disputa: sem unidade e articulação consistente, a oposição pode enfrentar dificuldades para consolidar um nome forte ao Governo da Paraíba.
Redação D1