A Justiça de São Paulo determinou que a Polícia Civil apresente provas sobre supostos desvios em um contrato de R$ 108 milhões por ano entre a Prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), antes de analisar o pedido de acesso aos dados financeiros da entidade e de sua presidente, Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL). Segundo a polícia, o ICB teria recebido cerca de R$ 69 milhões por serviços avaliados em R$ 43 milhões. Os investigadores também apontam subcontratações de R$ 98 milhões e possível uso de recursos em atividades privadas ligadas à Go Up Entertainment.
O juiz ainda não autorizou o acesso aos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Coaf e pediu documentos que sustentem as suspeitas. A Justiça também deu mais 90 dias para a investigação, autorizou a habilitação do ICB e de Karina no processo e permitiu o compartilhamento das provas com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
O ICB foi alvo, em junho, da Operação Wi-Fi, que apura possíveis fraudes no contrato. A investigação também verifica se recursos foram usados na produção de “Dark Horse”. A defesa de Karina pediu ao ministro André Mendonça, do STF, a suspensão do caso na Justiça Estadual, alegando que a investigação trata, na verdade, de recursos de Daniel Vorcaro destinados ao filme. “Por este motivo, constata-se que, na realidade, a investigação de primeiro grau tem como verdadeiro objeto: a aplicação de recursos financeiros por parte do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse. Conforme será demonstrado na sequência, tal objeto atrai a competência absoluta desse Supremo Tribunal Federal”, afirmam os advogados.
Difusora1 com informações do g1