A cada duas horas, um profissional de saúde sofre violência em seu local de trabalho na Paraíba

Em 2024, foram registrados mais de 4,5 mil boletins de ocorrências nas delegacias de Polícia Civil dos estados brasileiros e do Distrito Federal, por situações de ameaça, injúria, desacato, lesão corporal, difamação, furto, dentre outros crimes, acontecidos em unidades de saúde. Ou seja, a cada duas horas, um profissional de saúde sofreu algum tipo de violência em seu local de trabalho. São 12 agressões diárias a profisisonais de saúde, em seu ambiente de trabalho, conforme levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Na Paraíba, pesquisas realizadas pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e pelo Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) também revelam números alarmantes.

A pesquisa do CRM-PB ouviu 611 médicos, em 2025, sobre sua saúde mental e foi mostrado também que estes profissionais são vítimas de violência em ambientes de trabalho. Conforme o estudo, 80,4% (493 médicos) disseram já ter sofrido violência verbal enquanto exerciam seu trabalho. Os dados mostram ainda: 9,5% (58 médicos) sofreram violência física, 62,2% (381 médicos) sofreram violência moral, 5,2% (32 médicos) sofreram violência sexual e 37,2% (228 médicos) passaram por situação de discriminação.

Já o levantamento do Simed-PB, realizado em setembro de 2025, revelou que 90% dos médicos pediatras  que trabalham nas quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de João Pessoa disseram sentir-se inseguros em seus ambientes de trabalho.

Para discutir soluções, ações e iniciativas que mudem esta realidade, o CFM realizará, em parceria com o CRM-PB, na próxima terça-feira (10), das 8h30 às 12h, em João Pessoa, o evento “Segurança no Exercício da Medicina”, com a presença de diretores do CFM, do CRM-PB, da prefeitura de João Pessoa e do Governo do Estado, além de médicos e representantes das entidades médicas.

O evento discutirá a Resolução CFM 2.444/25, publicada no Diário Oficial em setembro do ano passado, mas que entra em vigor no próximo mês de março, e que estabelece medidas de segurança para situações de violência em unidades de saúde, como controle de acesso, videomonitoramento em áreas comuns, instalação de botão de pânico, dentre outras iniciativas. A Resolução também obriga o diretor técnico a notificar agressões sofridas por médicos ao CRM, à autoridade policial e ao Ministério Público.

O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, ressalta que os profissionais de saúde não devem ser responsabilizados pelas falhas do sistema de saúde. “Quando a violência chega ao médico, ela já atingiu outros trabalhadores da área, como maqueiros, recepcionistas, técnicos de enfermagem. A violência contra qualquer pessoa é inadmissível. A população precisa apoiar o seu médico, fazer dele um aliado e não responsabilizá-lo pelas falhas no atendimento”, afirmou.

“A dignidade do exercício do médico deve ser resguardada como de interesse público. É inadmissível que profissionais dedicados à preservação da saúde e da vida humana atuem sob ameaça constante, sem qualquer garantia de proteção ou amparo institucional. A Resolução CFM 2.444/25 é um marco ético e normativo necessário, com o foco de restaurar o mínimo de segurança e respeito à missão médica”, afirma o relator da Resolução e conselheiro federal pelo Rio de Janeiro, Raphael Câmara Medeiros Parente.

Foto: Divulgação/Secom-PB

D1 com Ascom/CRMPB

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