Após mais de 25 anos de negociações, o acordo econômico entre o Mercosul e a União Europeia foi oficialmente assinado neste sábado (17/1), em Assunção, no Paraguai. A cerimônia contou com a presença de chefes de Estado e autoridades dos países envolvidos, entre eles os presidentes Santiago Peña (Paraguai), Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia) e José Raúl Mulino (Panamá), além do chanceler brasileiro Mauro Vieira, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Em discurso, Peña destacou a importância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a conclusão do tratado, enquanto líderes também manifestaram solidariedade ao povo venezuelano.
O acordo prevê a redução de tarifas de importação — imediata ou gradual, em até 15 anos — alcançando 91% dos bens que o Brasil importa da União Europeia e 95% dos produtos europeus comprados pelo Mercosul. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o tratado garante acesso preferencial do Mercosul à terceira maior economia do mundo, um mercado de 450 milhões de pessoas que representa cerca de 15% do PIB global.
A União Europeia eliminará tarifas para 92% das exportações do Mercosul, avaliadas em aproximadamente US$ 61 bilhões, além de conceder acesso preferencial a outros 7,5%, o equivalente a US$ 4,7 bilhões. A Confederação Nacional da Indústria estima que o acordo amplie o acesso brasileiro ao comércio mundial de 8% para 36%.
Estudos do Ipea indicam que, entre 2024 e 2040, o acordo pode gerar um aumento acumulado de 0,46% no PIB brasileiro, cerca de US$ 9,3 bilhões por ano, além de elevar os investimentos em 1,49%. Para os consumidores, os efeitos tendem a ser graduais, com possível redução de preços de produtos importados como vinhos, azeites, queijos, frutas de clima temperado, veículos e medicamentos, além do barateamento indireto via insumos e máquinas mais baratos.
Apesar da assinatura, o tratado ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos e pode enfrentar resistências, especialmente após a inclusão de salvaguardas aprovadas no fim de 2025 para proteger agricultores europeus, sobretudo no setor de carnes.
Difusora1 com informações da BBC Brasil