Alvo da PF doou R$ 5 mi para campanhas de Bolsonaro e Tarcísio em 2022

Alvo da PF (Polícia Federal) na segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes do Banco Master, o empresário Fabiano Zettel foi o maior doador das campanhas eleitorais de Jair Bolsonaro (PL) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nas eleições de 2022.

No total, ele doou R$ 5 milhões para ambos candidatos, sendo R$ 3 milhões para o ex-presidente e R$ 2 milhões para o atual chefe do Executivo do estado de São Paulo, que foi eleito na ocasião. As informações são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele foi preso temporariamente pela PF quando estava embarcando para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Na ocasião, Bolsonaro recebeu uma doação de aproximadamente R$ 42,6 milhões na campanha eleitoral dos cinco maiores doadores. Entre eles, estava a direção nacional do PL e do Progressistas e de pessoas como Jose Salim Mattar Junior e Hugo de Carvalho, além de Zettel.

A doação de Zettel representou 2,38% das doações de Bolsonaro, ficando abaixo apenas da direção nacional, que representou 27,51% desse montante.

O total líquido de recursos recebidos na campanha eleitoral de Bolsonaro em 2022 foi de R$ 126,1 milhões.

A CNN tentou contato com a assessoria do PL para um posicionamento de Jair Bolsonaro, mas não teve retorno até o momento desta publicação. O espaço fica aberto.

Confira o gráfico abaixo

Já para Tarcísio, a doação total da campanha somou cerca de R$ 38,6 milhões de recursos recebidos. A fatia de Zettel representou 5,18% desse montante, a maior doação registrada por uma pessoa física.

A maior fatia entre o total de doadores campanha foi feita pela direção municipal/comissão provisória do partido Republicanos, que doou R$ 5,5 milhões para a campanha do atual governador de São Paulo.

À reportagem, a equipe de comunicação do governo disse, em nota, que a campanha de Tarcísio “foi conduzida com total respeito às leis eleitorais” e contou com mais de 600 doadores.

“O governador não possui qualquer vínculo ou relação com o doador citado, bem como conhecimento prévio sobre possíveis condutas que não dizem respeito à campanha. Vale destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi devidamente aprovada pela justiça eleitoral”, pontuou.

Veja o gráfico

Entenda o caso

Cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Zettel foi preso temporariamente durante a segunda fase da operação Compliance Zero. Segundo informações, ele será solto, pois a prisão temporária foi realizada para preservar o sigilo da investigação.

O empresário foi preso pela PF quando estava embarcando para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Outros executivos foram alvos da operação, entre eles estão Nelson Tanure e João Carlos Mansur.

Em nota, os advogados afirmam que “Fabiano Zettel tem atividades empresariais conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master”.

Sobre a hipótese de “fuga do país”, a defesa de Zettel afirmou que “a busca e apreensão pessoal e a detenção temporária determinadas pelo Ministro Dias Toffoli, realizadas no aeroporto de Guarulhos, deram-se apenas em razão de viagem de negócios de seu estrito interesse, programada ao Barein, com passagem de volta emitida para o dia 06/02, e visavam evitar frustração de diligências a serem realizadas na manhã de hoje”.

A operação combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional). Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercados e lavagem de capitais.

Agentes da PF cumprem 42 mandados de busca e apreensão nos estados de São PauloBahiaMinas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. As medidas foram determinadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que também autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.

Vorcaro foi preso em novembro de 2025, durante a primeira fase da operação. O empresário estava no Aeroporto de Internacional de Guarulhos, onde embarcaria para Dubai para fechar negócios.

Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

D1 com CNN/Brasil

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