O ator cajazeirense Buda Lira comentou, nesta terça-feira (13), em entrevista ao programa Sempre Alerta, da Patamuté FM, a repercussão do filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, que rendeu a Wagner Moura o prêmio de Melhor Ator. Integrante do elenco, Buda destacou a emoção do momento, mas fez questão de ressaltar que a trajetória até o reconhecimento é marcada por persistência, desafios e poucas oportunidades no mercado cultural nordestino.
Ao falar sobre o caminho percorrido até o sucesso do longa, o ator foi enfático ao lembrar das dificuldades enfrentadas por artistas fora do eixo Rio-São Paulo. “As oportunidades não são muitas não. Eu tive persistência, fui fazendo, e tive também sorte”, afirmou. Segundo ele, o estado possui muitos talentos, mas ainda carece de uma estrutura que permita a consolidação de um mercado cultural sólido e contínuo.
Buda Lira também fez uma reflexão sobre a ausência de políticas públicas estruturantes para o teatro e o cinema. “Aqui, de fato, não tinha e ainda não tem um mercado de teatro, nem de cinema”, disse, explicando que mercado cultural envolve formação permanente, espaços adequados, público constante e apoio institucional. Para o ator, é fundamental que artistas e gestores públicos compartilhem a responsabilidade pelo fortalecimento do setor.
Durante a entrevista, o ator comentou a expectativa de reencontro com Cajazeiras e o diálogo com a prefeita Corrinha Delfino, colocando-se à disposição para contribuir com o desenvolvimento da cidade. “Fico à disposição para levar pleitos que são antigos. Tenho certeza que, pela acessibilidade dela, vai acolher nossas sugestões históricas”, declarou, destacando sua longa trajetória acompanhando o movimento cultural local.
Entre os principais pleitos que pretende apresentar à prefeita, Buda Lira apontou como prioridade a revitalização do Açude Grande, considerado por ele um patrimônio simbólico e afetivo do município. “Essa é a joia da cidade, foi onde Cajazeiras nasceu, tem um pôr do sol belíssimo”, afirmou. O ator relembrou a mobilização de entidades como a Associação de Cajazeirenses e Cajazeirados de Fortaleza, a criação do Fórum do Açude Grande e o envolvimento de lideranças culturais locais. Ele também destacou os avanços recentes no diálogo com o Tênis Clube, que resultaram em um esboço de projeto de requalificação da área, defendendo a iniciativa como “a obra deste século” e uma conquista fundamental para o futuro cultural, urbano e turístico de Cajazeiras.
Ouça o que disse Buda Lira:
Redação D1