O Brasil será o principal beneficiado pelas novas tarifas globais de 15% impostas pelo presidente Donald Trump neste sábado (20). Segundo o Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas comerciais, o país terá, em média, uma redução de 13,6 pontos percentuais nas tarifas. Aliados históricos dos EUA, como Reino Unido, Japão e União Europeia, serão os principais prejudicados com a nova taxa — a análise completa foi reportada pelo jornal “Financial Times”.
Neste final de semana, Lula não quis comentar a decisão da Suprema Corte americana, que suspendeu a aplicação de tarifas recíprocas pelo governo de Donald Trump. Em alguns casos, como o Brasil, a mudança traz alívio a setores que ainda eram taxados em 50%. A nova política entra em vigor na terça (24) e terá validade de 150 até que precise ser aprovada pelo congresso para continuar vigente.
A China, principal rival dos americanos, será o segundo país mais beneficiados após Trump reagir à decisão de sexta (19) da Suprema Corte dos EUA, que considerou ilegal o mecanismo usado por ele para aplicar tarifas sobre produtos de parceiros no ano passado. O gigante asiático terá redução de 7,1 pontos percentuais nas taxas.
“Países como China, Brasil, México e Canadá, que foram alvo das críticas mais severas da Casa Branca e das tarifas da IEEPA sob decretos executivos especiais, foram os que tiveram a maior queda nas tarifas”, disse ao Times Johannes Fritz, economista e diretor-executivo da GTA.
Segundo a análise, fabricantes asiáticos como Vietnã, Tailândia e Malásia, frequentemente apontados por Trump por apresentarem enormes superávits comerciais com os EUA, também serão beneficiados pelo novo regime. Já o Japão terá aumento de 0,4 ponto percentual na taifa geral.
O maior perdedor com a nova taxa fixa global é o Reino Unido, que terá um aumento de 2,1 pontos percentuais em sua taxa média de tarifa — anteriormente os britânicos tinham negociado uma taxa de 10%. A UE, que fechou uma tarifa de 15% em seu acordo comercial com Washington, terá um aumento geral de 0,8 ponto percentual, com a Itália e a França mais expostas.
A Câmara Britânica de Comércio afirmou que 40.000 empresas britânicas que exportam produtos para os EUA serão afetadas pelas novas taxas e pediu para o governo britânico entrar em diálogo com os americanos.
No sábado, o governo britânico havia indicado que esperava manter sua posição comercial privilegiada, mas William Bain, chefe da Câmara de Comércio Britânica (BCC), alertou que a decisão “pouco contribuiu para esclarecer as águas turvas. Para o Reino Unido, a prioridade continua sendo a redução das tarifas sempre que possível”, disse ele à “Reuters”.
Já o chefe de comércio do Parlamento Europeu irá propor o congelamento do processo de ratificação do acordo comercial da União Europeia com os Estados Unidos até que recebam detalhes do governo do presidente Donald Trump sobre sua política comercial.
As novas tarifas afetam os principais aliados dos EUA, pois suas exportações são dominadas por aço, alumínio e automóveis, setores taxados sob outros regimes que permanecem em vigor após a decisão de sexta-feira.
Brasil foi bastante afetado pelo primeiro tarifaço
Em abril de 2025, Trump havia anunciado as chamadas tarifas recíprocas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). Isso incluiu uma tarifa global de 10% sobre importações de parceiros e taxas adicionais a certos países. O que a Suprema Corte derrubou na sexta-feira foi justamente o uso dessa lei para embasar a aplicação das tarifas.
A nova taxa anunciada por Trump no sábado tem como base outro marco jurídico, a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente impor tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. O instrumento nunca foi acionado por um governante americano.
No caso brasileiro, a sobretaxa total chegou a 50% (10% da tarifa universal imposta em 2025 mais 40% extra) para alguns produtos. Depois, um grupo de itens foi completamente isento, como carne e café. Não está claro se essas mercadorias que gozavam de isenção passarão a ser taxadas com a nova alíquota de 15%.
Mas os produtos brasileiros que não entraram na lista de isenções serão beneficiados com a substituição da tarifa anterior pela nova. De acordo com documento divulgado em novembro pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 22% do que é exportado para os EUA ainda estavam sujeitos ao tarifaço de 50% no fim do ano passado.
Há ainda produtos brasileiros que estão enquadrados em outra regra, como aço e alumínio. Esses itens estão sujeitos à chamada seção 232, instrumento legal que autoriza o presidente dos Estados Unidos a impor tarifas e outras restrições sobre importações que possam ameaçar a segurança nacional. Eles representavam em novembro passado, 27% das exportações brasileiras para os americanos. Para estes, nada muda.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
D1 com O Globo