A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na quinta-feira (12), o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, cumprindo promessa do presidente Javier Milei de priorizar a adesão ao tratado. O projeto recebeu 203 votos favoráveis, 42 contrários e quatro abstenções e agora será analisado pelo Senado. No Brasil, o texto já foi encaminhado ao Congresso, enquanto o acordo prevê a criação de uma área de livre comércio com alcance superior a 720 milhões de pessoas e a eliminação de tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul, estimadas em cerca de US$ 61 bilhões.
As projeções indicam que as exportações argentinas podem crescer até 122% em dez anos, com destaque para os setores de energia, mineração, lítio e hidrocarbonetos. A expectativa também é de ampliação da pauta exportadora, com aumento de aproximadamente 15% nas exportações agroindustriais, principalmente carne e peixe, e crescimento de cerca de 30% nas exportações industriais, com foco em peças automotivas e produtos químicos. O deputado Javier Sánchez Wrba atribuiu o avanço do tratado à gestão do ex-presidente Mauricio Macri e afirmou: “Quero destacar a gestão do presidente Mauricio Macri, que conseguiu lançar as bases para que esse acordo fosse possível”.
Já o opositor Santiago Cafiero criticou possíveis entraves regulatórios europeus e alertou: “A União Europeia possui barreiras não tarifárias que são revestidas com regulamentos ligados ao desmatamento, como o Pacto Verde Europeu, o uso de defensivos agrícolas, por exemplo. Isso acaba funcionando como um muro para que a produção agrícola do Mercosul e, no nosso caso, da Argentina, não entre.” O acordo foi assinado em janeiro, após negociações iniciadas em 1999, teve apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ainda aguarda ratificação do Parlamento Europeu, embora a Comissão Europeia possa aplicá-lo provisoriamente.
Difusora1 com informações do Portal Correio