Contas do governo têm déficit de R$ 61,7 bilhões em 2025, mas meta fiscal é cumprida

As contas do governo registraram um déficit primário de R$ 61,7 bilhões em 2025, informou Tesouro Nacional nesta quinta-feira (29). 

  • 🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo as despesas do governo.
  • 🔎 Se as receitas excedem as despesas, o resultado é um superávit primário. Esses valores não englobam os juros da dívida pública.

O resultado representa uma piora em comparação a 2024, quando foi registrado R$ 42,9 bilhões de déficit primário. Ou seja, trata-se de um aumento de 32%. 

O desempenho das contas públicas no ano passado também foi o pior desde 2023, quando o resultado negativo somou R$ 250,1 bilhões (valor corrigido pela inflação).

De acordo com o Tesouro, no acumulado do ano a receita total apresentou elevação de R$ 90,8 bilhões (3,2%), enquanto a receita líquida apresentou elevação de R$ 64,3 bilhões (2,8%) em termos reais frente ao acumulado do mesmo período de 2024. 

A variação é fruto do efeito conjunto de aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), Explorações de Recursos Naturais e redução de dividendo, entre outros. 

Já em dezembro de 2025, a receita total apresentou elevação de R$ 7,6 bilhões em comparação ao mesmo período de 2024. A receita líquida, por sua vez, aumentou em R$3,9 bilhões, também em comparação ao mesmo período. 

Meta fiscal

Com o déficit de R$ 61,7 bilhões em 2025, a meta fiscal para o ano foi atingida.

O objetivo era de zerar o rombo das contas públicas. Entretanto, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual previsto no arcabouço fiscal (a nova regra das contas públicas).

Ou seja, pode haver variação de até R$ 31 bilhões, para cima ou para baixo, em relação ao objetivo.

Além disso, foram excluídas do cálculo da meta o abatimento de R$ 41,15 bilhões em precatórios (sentenças judiciais).

Também pôde ser abatido o valor de R$ 2,83 bilhões por conta do ressarcimento de aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos em seus benefícios. 

Outros R$ 2,5 bilhões, despesas com projetos estratégicos em defesa nacional, igualmente puderam ser deduzidos da meta.

Foram excluídos ainda da meta gastos de R$ 2,2 bilhões em despesas temporárias em educação.  

Contando tudo isso, o rombo de 2025 poderia ser de até R$ 79,65 bilhões sem que a meta fosse formalmente descumprida.

Avaliação

Segundo o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, o objetivo do governo é que as contas públicas tenham superávit primário neste ano, com as exclusões previstas no arcabouço fiscal — saúde, educação, precatórios e defesa.

“Nossa expectativa é novamente entregar o resultado que foi estabelecido e, de preferência, mais próximo do centro do que do piso [da meta fiscal]”, disse Ceron.

O secretário informou, ainda, que com um “superávit em torno de 1% do PIB [Produto Interno Bruto]” as preocupações quanto a estabilização da dívida pública ficam mais “relativizadas”.

“Não é pouco, mas não é difícil também. Acho que o país consegue fazer em um horizonte relativamente curto”, comentou.

Ceron avaliou que o resultado do ano é muito satisfatório. “Consideramos o resultado do ano muito satisfatório, diante de todas as adversidades. Estamos no caminho certo de manter o resultado primário cada vez mais próximo do equilíbrio”, afirmou.

Congresso Nacional, em Brasília (DF) — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Congresso Nacional, em Brasília (DF) — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Foto: Getty Images

D1 com g1

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