CPMI do INSS pedirá prisão de “cérebro do esquema” que ocultou provas

O presidente e o relator da CPMI do INSS, deputados Carlos Viana (Podemos) e Alfredo Gaspar (União Brasil), respectivamente, afirmam que pedirão a prisão preventiva do empresário Igor Dias Delecrode após a coluna revelar que o investigado bloqueou o acesso ao conteúdo do próprio celular logo depois de o colegiado aprovar a apreensão do aparelho, durante sessão. Quando ele entregou o iPhone às autoridades, já não era possível checar as informações nele contidas.

Delecrode é apontado como o “cérebro tecnológico” que desenvolveu o programa responsável por fraudar biometrias faciais e assinaturas digitais de aposentados e pensionistas do INSS. A suspeita é de que ele tenha desviado até R$ 1,4 bilhão.

“O investigado demonstrou extrema ousadia, obstruindo a investigação ‘ao vivo’, deixando transparente seu modus operandi de usar a inteligência para continuar delinquindo. A ordem pública e a instrução criminal estão sob risco com a permanência em liberdade do investigado. Vou protocolar um novo pedido de prisão preventiva”, informou Gaspar à coluna.

Gaspar e Viana explicaram que a CPMI já havia aprovado um requerimento pedindo a prisão preventiva de Delecrode antes, mas, que diante das novas informações, formularão um novo pedido destacando a artimanha utilizada pelo empresário para evitar o acesso da polícia ao conteúdo do aparelho.

O registro em vídeo da sessão, ocorrida em novembro, mostra o empresário pressionando os botões laterais e deslizando o dedo pela tela, procedimento usado para desligar modelos mais recentes. O modelo usado era um iPhone 17 Pro Max.

Durante a reunião, Gaspar havia apresentado requerimento para apreensão do telefone e acesso aos conteúdos digitais. A proposta foi aprovada em votação simbólica, sem registro nominal dos votos.

O mecanismo usado

Um relatório da Polícia Civil do Distrito Federal obtido pela coluna aponta que Delecrode desligou e reiniciou o aparelho, fazendo com que o dispositivo entrasse no estado conhecido como “Antes do Primeiro Desbloqueio”. Nesse modo, o acesso aos dados depende do fornecimento da senha.

Segundo o laudo, “não foi possível extrair os dados da memória interna desse dispositivo, sendo, portanto, necessário o fornecimento da senha de desbloqueio”. Segundo o documento, a reinicialização ocorreu por volta das 19h37 do dia 10 de novembro de 2025.

A perícia concluiu haver “plena coerência” entre as imagens da sessão, os registros internos do aparelho e o bloqueio identificado na análise técnica. Para os investigadores, a sequência indica que o próprio usuário realizou o procedimento antes da entrega, impedindo o acesso imediato às informações armazenadas.

D1 com Metrópoles

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