Dia da Consciência Negra é debatido em entrevista com autoridades da igualdade racial de Cajazeiras

Em entrevista ao programa Boca Quente – Parte Dois, Francelma Santana, gerente da Igualdade Étnico-Racial; Rivelino Martins, secretário de Participação Popular de Cajazeiras; e o professor Walter Nunes, presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial, discutiram a importância do Dia da Consciência Negra, racismo estrutural e políticas públicas de inclusão.

Vivência e importância da Consciência Negra
Francelma Santana falou sobre sua experiência pessoal e a relevância da data: “Falar da consciência negra pra mim é falar da minha história, da minha vida, né? O que eu vivo, o que eu vivi, porque além de negra eu sou da periferia… Tem que ser os 365 dias do ano, né? Porque a gente sabe o que a gente sofre no dia a dia. Nós negros sabemos que nós somos alvo da polícia… Temos que brigar por espaço. Temos que brigar por local, porque a gente não tem. A gente tira por questão de cargos. Os negros, nos cargos, como é que estão? No poder.”

Racismo estrutural e política de cotas
O professor Walter Nunes abordou o racismo estrutural e seus impactos cotidianos: “Nós precisamos lutar para que a gente pare com o racismo estrutural que as pessoas aprenderam com os pais, que aprenderam com os avós… a luta não pode ser uma luta solitária, então os brancos devem comprar nossa luta, o que a gente não pode deixar enquanto preto é deixar que o branco se aposta em uma luta que é nossa.”

Sobre a política de cotas, ele comentou casos de discriminação na seleção para universidades e ressaltou que, embora a lei tenha objetivos de reparação, a aplicação ainda enfrenta desigualdades e avaliações subjetivas.

Políticas públicas, dados e ações em Cajazeiras
Francelma e Rivelino destacaram a necessidade de políticas públicas para reduzir desigualdades raciais. Rivelino afirmou que a lei 10.639, que torna obrigatória a inclusão da cultura afro-brasileira nas escolas, é um avanço: “Estamos provocando um espaço… a taxa de informalidade para a população negra é cerca de 45%, significativamente maior que os 34% das pessoas não negras… A taxa de homicídios de pretos ou pardos é quase três vezes maior que a dos brancos… É racismo puro, é racismo estrutural, é racismo do Estado contra o povo negro.”

Encerramento e eventos de comemoração
Walter Nunes divulgou a programação do Dia da Consciência Negra: “Hoje (17) nós temos uma sessão especial na Câmara… amanhã (18) continuamos com a roda de conversas nas escolas… na quarta-feira (26) temos o encerramento no Leblon, com o grupo Dança de Rua da Paraíba, batalha de Hip Hop Freestyle, pintura corporal e show do Afonso Orin e Badu.” Francelma reforçou: “A nossa luta é constante… se a gente não lutar, ninguém vai lutar pela gente.” Rivelino complementou: “A verdadeira celebração da consciência negra será quando eliminarmos o abismo de oportunidades, renda e segurança que hoje separa negros e não negros no Brasil. É uma responsabilidade de toda a sociedade e do Estado.”

Redação do Difusora1

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