Um caso de grande repercussão mobiliza autoridades de saúde e segurança pública em Pombal, no Sertão da Paraíba, após a morte de uma mulher e o registro de mais de 100 atendimentos médicos com sintomas de intoxicação alimentar. O episódio ocorreu no último domingo (15) e envolve uma pizzaria local, agora interditada, enquanto as investigações buscam esclarecer as causas do ocorrido.
A vítima fatal foi identificada como Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos, engenheira agrônoma e servidora pública. Segundo informações médicas, ela apresentou uma rápida piora no quadro clínico após consumir uma pizza no estabelecimento. Inicialmente atendida e liberada, Rayssa retornou ao hospital no dia seguinte em estado grave, sendo encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde morreu na manhã da terça-feira (17).
De acordo com o Hospital Regional de Pombal, a paciente apresentava sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave. O namorado da vítima, que também consumiu o alimento, apresentou sintomas, mas não teve complicações graves.
Além do óbito, cerca de 118 pessoas procuraram atendimento médico entre domingo (15) e terça-feira (17), com sintomas como náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia e mal-estar geral. Os atendimentos foram registrados tanto na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) quanto no Hospital Regional de Pombal. A maioria dos pacientes recebeu alta após atendimento, mas alguns casos exigiram internação, incluindo uma criança.
Diante da gravidade da situação, a Polícia Civil da Paraíba instaurou inquérito para apurar responsabilidades. As investigações iniciais apontam que a maioria dos afetados consumiu pizza do sabor carne de sol na nata, o que levanta suspeitas sobre possíveis contaminações em ingredientes como carne ou creme.
Outro ponto analisado é a possibilidade de contaminação cruzada, já que o estabelecimento teria passado por um processo de desinsetização dias antes do ocorrido. A hipótese é de que produtos químicos possam ter entrado em contato com alimentos. Amostras das pizzas — inclusive fornecidas por clientes que pediram delivery —, além de materiais coletados no local e no corpo da vítima, foram encaminhadas para perícia.
O prazo inicial do inquérito é de 30 dias, podendo ser prorrogado. Os resultados laboratoriais devem levar mais de um mês.
O proprietário da pizzaria, Marcos Antônio, de 24 anos, se pronunciou publicamente por meio de vídeo divulgado nas redes sociais. Visivelmente abalado, ele lamentou a morte de Rayssa e manifestou solidariedade às vítimas.
“Jamais tive intenção de machucar ou prejudicar qualquer pessoa. Meu comércio é minha vida. Tudo que conquistei foi com muito esforço”, declarou.
O empresário afirmou que o funcionamento no dia parecia normal e que nunca havia enfrentado situação semelhante nos seis anos de atividade. Ele também destacou que está colaborando com as investigações, fornecendo amostras e documentos solicitados pelos órgãos competentes, além de ter procurado espontaneamente a Vigilância Sanitária.
A defesa, representada pela advogada Raquel Dantas, pediu cautela nas conclusões e ressaltou que ainda não há comprovação da causa da intoxicação. Segundo ela, inspeções iniciais não identificaram alimentos vencidos ou visivelmente estragados.
“Não foi encontrado nenhum produto fora da validade. Existem bactérias que não são visíveis a olho nu, e apenas a perícia poderá esclarecer o que aconteceu”, afirmou.
Apesar disso, órgãos de fiscalização identificaram irregularidades estruturais no estabelecimento, como problemas de higiene, presença de insetos, falhas no acondicionamento de alimentos e inadequações nas instalações físicas. Segundo a defesa, esses pontos não estariam diretamente relacionados à qualidade dos alimentos consumidos.
As autoridades também consideram outras hipóteses, como a possibilidade de alguns clientes já estarem com infecções prévias, embora essa linha ainda dependa de confirmação técnica.
Caso seja comprovada a responsabilidade do estabelecimento, os envolvidos podem responder por crime contra as relações de consumo, por fornecer produto impróprio. Com a morte registrada, também existe a possibilidade de indiciamento por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Enquanto a investigação segue, a cidade acompanha com comoção o caso, que levanta discussões sobre segurança alimentar e fiscalização sanitária.
Veja o vídeo:
Redação D1