Ex-presidente do INSS comenta escândalo e defende mais concursos para melhorar atendimento; ouça

Durante agenda na cidade de Cajazeiras, no sertão da Paraíba, o ex-deputado e ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Leonardo Gadelha, falou sobre o atual escândalo envolvendo o órgão e relembrou ações realizadas durante sua gestão. A entrevista foi concedida ao repórter Weldery Rodrigues, do Difusora 1, na manhã desta quinta-feira (12), durante evento realizado no Grupo Barroso.

Logo no início da conversa, Gadelha esclareceu que chegou a ser citado no contexto da investigação, mas explicou que não chegou a prestar depoimento na comissão. Segundo ele, a ideia inicial da CPMI era ouvir presidentes do INSS que passaram pela instituição nos últimos anos.

No início dos trabalhos da CPMI houve a decisão de convocar todos os presidentes dos últimos dez anos, entre 2015 e 2025, mas não houve tempo hábil para isso e eu acabei não comparecendo”, explicou.

Revolução tecnológica no INSS

Ao comentar sua passagem pela presidência do INSS, entre 2016 e 2017, Leonardo Gadelha destacou a criação da plataforma digital que hoje facilita o acesso aos serviços previdenciários em todo o país.

Ele lembrou que foi durante sua gestão que nasceu o sistema Meu INSS, que permite ao cidadão fazer solicitações e acompanhar processos pela internet.

Foi na minha gestão que surgiu o Meu INSS. Hoje qualquer cidadão pode conferir seu tempo de contribuição e acompanhar o pedido sem precisar ir até uma agência”, afirmou.

Segundo o ex-presidente do órgão, a ferramenta ajudou a acabar com cenas comuns no passado, quando aposentados madrugavam nas filas das agências.

A gente acabou com aquela cena triste de idosos acordando às quatro ou cinco da manhã para pegar uma senha na porta do INSS”, disse.

Gigantismo do sistema

Gadelha também destacou o tamanho da estrutura administrada pelo INSS. Segundo ele, o órgão é responsável por cerca de 47 milhões de benefícios, o que representa um volume comparável ao de um país inteiro.

O INSS maneja 47 milhões de benefícios. É como se um país do tamanho da Argentina estivesse sendo administrado por uma única autarquia”, afirmou.

Ele acrescentou que o instituto já teve cerca de 50 mil servidores, mas que hoje esse número caiu praticamente pela metade.

Defesa de novos concursos

Durante a entrevista, o ex-deputado defendeu a realização urgente de novos concursos públicos para o INSS. Para ele, a redução no número de servidores tem impactado diretamente no atendimento à população.

Somente um servidor concursado do INSS pode dizer sim ou não a um pedido de benefício. Se o número de servidores diminui e a população aumenta, a conta simplesmente não fecha”, explicou.

Segundo Gadelha, a população brasileira está vivendo mais, o que aumenta a demanda por aposentadorias e outros benefícios.

Descontos indevidos e mudança na lei

Questionado sobre os descontos feitos diretamente na folha de pagamento de aposentados para associações e sindicatos, prática que gerou diversas denúncias, o ex-presidente do INSS afirmou que o Congresso já tomou providências para evitar abusos.

A partir de agora esses descontos não serão mais feitos diretamente pelo INSS. Quem quiser ajudar alguma associação poderá fazer por outros canais”, explicou.

Para ele, a mudança representa mais transparência e segurança para os beneficiários.

Problemas nas perícias médicas

Outro ponto abordado na entrevista foi a reclamação frequente de segurados sobre perícias médicas do INSS, especialmente em casos de pessoas doentes que têm benefícios negados.

Gadelha disse ver a situação com preocupação, mas ressaltou que também há falta de profissionais na área.

Existe déficit na perícia médica, assim como existe na atividade principal do INSS. É necessário realizar novos concursos”, afirmou.

Ele também defendeu mais diálogo entre o órgão, a Justiça e a sociedade para evitar injustiças.

A gente precisa construir regras para que quem realmente tem direito receba o benefício rapidamente, sem prejudicar pessoas vulneráveis”, disse.

Reconhecimento aos servidores

Apesar das críticas ao sistema, Leonardo Gadelha fez questão de destacar o trabalho da maioria dos servidores do INSS.

A sociedade não pode confundir poucos elementos mal-intencionados com o grande corpo de servidores dedicados que fazem o INSS funcionar todos os dias”, afirmou.

Segundo ele, o instituto é fundamental para manter a estabilidade social no país, já que em muitos municípios os recursos pagos em benefícios previdenciários superam até mesmo os repasses do Fundo de Participação dos Municípios.

O INSS é um dos principais responsáveis pela paz social no Brasil”, concluiu.

Ouça:

Redação D1

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