O comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Alireza Tangsiri, foi morto em um ataque aéreo na cidade de Bandar Abbas, nesta quinta-feira (26). A informação foi divulgada por oficial israelense, que falou em condição de anonimato ao jornal Times of Israel.
Segundo o veículo, Tangsiri era responsável por executar o fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial. A suspensão parcial do trajeto ocorreu em retaliação à operação coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, visando pressionar o setor de energia dos países.
Israel e Irã ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a morte de Tangsiri. Caso seja confirmado, o óbito seguirá uma tendência de assassinatos de autoridades de alto escalão do regime iraniano.
Apenas na última semana, as tropas de Tel Aviv anunciaram a morte de quatro autoridades. Foram elas: Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica; Esmail Khatib, ministro da Inteligência; Ali Larijani, chefe de segurança; e Gholamreza Soleimani, chefe da força paramilitar Basij (braço da Guarda Revolucionária Islâmica).
“Não vão nos desestabilizar”
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os Estados Unidos e Israel não conseguirão desestabilizar o sistema político de Teerã com o assassinato de autoridades. Em entrevista ao jornal Al Jazeera, o diplomata afirmou que “a presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”.
“Não sei por que os americanos e os israelenses ainda não entenderam este ponto: a República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”, disse Abbas Araqchi. “Se o ministro das Relações Exteriores viesse a ser morto, inevitavelmente haveria outra pessoa para ocupar o cargo”, acrescentou.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
OIrã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque,representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após oHezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em umcomunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para “a defesa de seus interesses e de seus aliados”.
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.
Foto: Divulgação/Alireza Tangsiri no X
D1 com SBT NEWS