Juros pressionam e atividade da construção tem pior janeiro desde 2017

A indústria da construção começou 2026 em retração, pressionada pelo cenário de juros elevados. Em janeiro, o índice que mede o nível de atividade do setor ficou em 43,1 pontos, o pior resultado para o mês desde 2017. O dado faz parte da Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta última quinta-feira (26) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Indicadores adicionais reforçam a perda de fôlego. O índice de evolução do número de empregados caiu de 45,7 pontos, em dezembro de 2025, para 45,3 pontos, em janeiro deste ano — a terceira queda consecutiva. Já a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) recuou três pontos percentuais, passando de 67% para 64%, o menor patamar para o período nos últimos cinco anos.

Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, os juros altos encareceram o crédito, dificultando o acesso das empresas a financiamentos e reduzindo os investimentos. Além disso, o custo mais elevado também afeta a demanda, impactando o desempenho da construção.

A confiança do empresariado também segue abalada. Em fevereiro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção permaneceu em 48,6 pontos, completando 14 meses abaixo da linha dos 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança. O resultado reflete, principalmente, a avaliação negativa das condições atuais das empresas e da economia.

As expectativas para os próximos seis meses também perderam força em fevereiro, após dois meses de alta. Todos os indicadores recuaram: compra de insumos e matérias-primas (-2 pontos, para 50,5 pontos), novos empreendimentos e serviços (-1,7 ponto, para 51,2 pontos), número de empregados (-1 ponto, para 51,8 pontos) e nível de atividade (-0,7 ponto, para 52,1 pontos). Apesar da queda, todos permanecem acima da linha dos 50 pontos, indicando perspectiva positiva, ainda que mais moderada.

A cautela também aparece na intenção de investir. O índice caiu 1,7 ponto, de 44,6 para 42,9 pontos, interrompendo uma sequência de quatro altas consecutivas. Mesmo assim, o indicador está acima dos 42 pontos registrados em fevereiro do ano passado.

A edição de janeiro da Sondagem Indústria da Construção ouviu 312 empresas entre os dias 2 e 12 de fevereiro de 2026, sendo 122 pequenas, 125 médias e 65 grandes.

Foto: Iano Andrade/CNI

D1 com Paraíba Business

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