O Ministério Público Eleitoral deu prazo de 10 dias úteis para que os partidos informem quais medidas estão adotando para impedir a infiltração de facções criminosas, milícias e outros grupos do crime organizado nas candidaturas de 2026. A recomendação não impede automaticamente o registro de candidatos, mas busca antecipar a identificação de suspeitas e responsabilizar legendas que ignorem possíveis vínculos, cabendo à Justiça Eleitoral a decisão final sobre os registros.
A orientação foi motivada por casos registrados nas últimas eleições, como a cassação do prefeito reeleito de Santa Quitéria (CE), José Braga Barroso (PSB), o Braguinha, e do vice Francisco Gardel Mesquita Ribeiro (PP), após investigação apontar interferência do Comando Vermelho no pleito. Também foram citados casos de candidaturas barradas por suspeita de ligação com milícias no Rio de Janeiro e de 12 eleitos em São Paulo investigados por possíveis vínculos com organizações criminosas.
Entre as medidas recomendadas estão a exigência de certidões criminais, análise do histórico dos pré-candidatos, criação de comissões internas para avaliar casos suspeitos, exclusão de nomes com vínculos notórios com facções e comunicação imediata ao Ministério Público em caso de indícios de financiamento ilícito ou submissão a organizações criminosas. Segundo o órgão, a preocupação vai além do financiamento de campanhas e inclui o uso de candidaturas para ampliar o controle territorial e influenciar a administração pública.
Difusora1 com informações do G1