Movimento nascido em Cajazeiras defende candidatura de Márcia Lucena ao Governo da Paraíba e petista diz ter “total disposição” para disputar; ouça

A ex-prefeita do Conde, Márcia Lucena (PT), afirmou nesta segunda-feira (9), durante visita à cidade de Cajazeiras, que há um movimento dentro do Partido dos Trabalhadores para lançar uma candidatura própria ao Governo da Paraíba nas eleições de 2026. Em entrevista à Rádio Patamuté, no programa Sempre Alerta, ao repórter Amaury Furtado, a petista comentou a articulação que surge a partir de diretórios municipais e núcleos de base do partido.

Segundo Márcia, a iniciativa ganhou força a partir do núcleo de base Fátima Cartacho, do PT de Cajazeiras, que teria levantado a possibilidade de apresentar seu nome como pré-candidata ao governo estadual. Para a ex-prefeita, o fato de a discussão surgir de um núcleo histórico da legenda tem grande significado político.

“Esse movimento de uma mulher ocupar a cadeira do governo do Estado, que nunca aconteceu no nosso Estado, nasce aqui em Cajazeiras e nasce no núcleo Fátima Cartacho, um núcleo que existe desde a criação do PT. Isso mostra que o meu nome tem surgido desse chão pavimentado pela boa política”, declarou.

Márcia Lucena destacou que, embora a proposta ainda esteja em fase inicial, vê com entusiasmo a mobilização e disse estar disposta a participar do debate político em torno de uma candidatura própria do partido.

“Não é ainda uma coisa concreta, é uma coisa que está nascendo agora. Mas eu tenho total disposição, eu meto minhas mãos e dou as mãos a esse pessoal de coragem, porque eu acho que a gente precisa ter, de fato, uma mulher no governo do Estado”, afirmou.

Defesa da presença feminina na política

Durante a entrevista, a ex-prefeita enfatizou a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de poder e decisão. Ela afirmou que o debate sobre uma candidatura feminina ao governo também está ligado à necessidade de enfrentar problemas estruturais da sociedade brasileira.

“Não muda uma cultura que está posta há tanto tempo sem a gente estar escrevendo normas, leis e formulando ideias. Não basta ter políticas pensadas por homens para as mulheres, precisamos de mulheres construindo essas políticas”, disse.

Márcia também citou o cenário de violência contra a mulher como um dos motivos que reforçam a necessidade de maior representatividade feminina na política.

Apoio de lideranças do PT

A ex-prefeita revelou que a ideia de uma candidatura própria do PT ao governo tem sido defendida pelo ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, que atualmente é pré-candidato a deputado federal e tem percorrido o estado debatendo o cenário político.

Segundo ela, o ex-governador tem defendido que a legenda apresente um nome feminino na disputa estadual e citado possíveis candidaturas dentro do partido.

“Ricardo tem falado muito nisso, que o PT devia ter uma candidatura própria e que era muito importante que essa candidatura fosse encabeçada por uma mulher. Ele fala no meu nome, no nome de Estela Bezerra, que hoje é secretária nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, e também no nome da professora Maria Luísa”, explicou.

Márcia acrescentou que a discussão ganhou força recentemente durante o lançamento da pré-candidatura de Flávio Brasileiro, em João Pessoa, evento que reuniu lideranças do partido.

“Naquele momento, Ricardo falou da importância disso e lançou o meu nome, e isso se juntou com a ideia aqui do núcleo de base Fátima Cartacho de Cajazeiras”, afirmou.

Crítica à falta de candidatura própria

Durante a entrevista, Márcia Lucena também criticou a possibilidade de o PT não apresentar um candidato próprio ao governo estadual e optar apenas por alianças com outras forças políticas.

Ela afirmou que o partido precisa assumir uma postura mais ousada no cenário político paraibano.

“Não faz sentido a gente não ter uma candidatura própria. Não faz sentido, ainda em 2026, ter esse mundo de candidaturas masculinas num estado conhecido pela força das mulheres”, declarou.

A ex-prefeita também criticou estratégias políticas baseadas apenas em alianças eleitorais por cálculo de vitória.

“A política não é feita só de vitórias, é feita de vitórias e derrotas. Mas derrotas qualificadas também são vitória, porque você vai a campo defendendo ideias e representando uma parte da sociedade”, argumentou.

Defesa do projeto político de Lula

Márcia Lucena ainda afirmou que o partido precisa fortalecer nos estados o projeto político liderado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo ela, é necessário ampliar a presença de lideranças alinhadas ao governo federal em diferentes regiões do país.

“A gente precisa ter coragem, inspirado no presidente Lula, de seguir em frente. Precisamos ter pessoas comprometidas com esse projeto político espalhadas pelos territórios”, afirmou.

A ex-prefeita também criticou alianças com grupos políticos que, segundo ela, adotam discursos contraditórios durante campanhas eleitorais.

“Tem gente que coloca a foto de Lula de um lado e a de um bolsonarista do outro. A gente não pode mais se juntar a isso sob nenhum tipo de argumento”, declarou.

Debate político em Cajazeiras

Apesar da repercussão da proposta, Márcia afirmou que o movimento ainda está em fase de debate e que não há definição sobre uma pré-candidatura formal.

“Eu acho que a gente precisa discutir isso com o povo de Cajazeiras”, disse.

A ex-prefeita explicou que sua visita à cidade inicialmente tinha outro objetivo: participar de um ciclo de debates sobre participação social e políticas públicas.

“Eu não vim exatamente para isso, vim participar de um ciclo de debates. Mas fico grata demais por ter sido tomada por essa iniciativa e por essa ideia”, comentou.

Para Márcia, o fato de o debate surgir em Cajazeiras tem forte simbolismo político dentro da história da Paraíba.

“Cajazeiras tem uma força simbólica muito grande no Estado. É uma cidade que ensinou a Paraíba a ler, que ensinou a fazer radialismo e jornalismo. Então estou muito honrada e muito feliz com isso”, concluiu.

A expectativa da ex-prefeita é que o debate iniciado no sertão paraibano se amplie e alcance outras regiões do estado, contribuindo para a definição do posicionamento do PT nas eleições estaduais de 2026.

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Redação D1

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