A inclusão de uma nova opção de voo ligando Cajazeiras a João Pessoa, com conexão obrigatória em Recife, gerou repercussão imediata no Alto Sertão paraibano devido ao valor das tarifas. Embora a Azul Linhas Aéreas tenha expandido a malha aérea da região, levantamentos na plataforma de vendas da companhia revelam passagens que ultrapassam os R$ 2 mil. O cenário levanta dúvidas sobre a eficácia da aviação regional para o público local, que esperava preços mais competitivos para o deslocamento dentro do estado.
Em entrevista, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Cajazeiras, Alexandre Costa, classificou os valores como um obstáculo severo. “O agravante é que o que pode inviabilizar essa operação é o preço proibitivo da tarifa. A passagem está em um preço excessivo, não é competitivo”, alertou o gestor. Para o engenheiro e estudioso da aviação, a conexão em Recife é um desdobramento natural da logística da empresa, mas o custo final não se justifica diante da realidade econômica dos sertanejos.
Outro ponto de tensão envolve os incentivos fiscais concedidos pelo Governo da Paraíba à companhia. Segundo Alexandre Costa, a Azul se beneficia de combustível subsidiado e descontos no ICMS, o que torna os preços praticados ainda mais questionáveis. “A Azul está recebendo combustível subsidiado e, mesmo assim, aplica um preço tão alto, que corre o risco de inviabilizar a própria operação?”, ponderou o secretário, que pretende buscar esclarecimentos junto à Receita Estadual sobre os termos do convênio.
Embora o setor empresarial reconheça que a rota é um passo importante para integrar o Alto Sertão aos grandes centros urbanos, a preocupação técnica é de que a linha nasça “natimorta” pela falta de demanda financeira. A expectativa da comunidade e de gestores públicos é que ocorra um ajuste operacional para que a conectividade aérea não seja apenas um item no sistema da empresa, mas uma ferramenta acessível de desenvolvimento para o interior da Paraíba.
D1 com Coisas de Cajazeiras