A revelação de mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, elevou a pressão política sobre o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Parlamentares de oposição passaram a cobrar providências no Senado Federal, incluindo pedido de prisão e abertura de processo de impeachment.
Material divulgado pela Polícia Federal indica troca de mensagens com “visualização única”. No dia da detenção de Vorcaro, o empresário teria encaminhado ao magistrado conteúdo relacionado a um suposto “bloqueio”. Moraes nega o contato (leia mais abaixo).
Cinco deputados formalizaram pedido de impeachment contra o ministro. A iniciativa partiu de Hélio Lopes, Sóstenes Cavalcante (líder do PL), Cabo Gilberto Silva, Coronel Chrisóstomo e Rodrigo da Zaeli.
Veja:
Acabou de ser protocolado no Senado Federal o pedido de impeachment contra o Ministro Alexandre de Moraes pelos Deputados Hélio Lopes, Sóstenes Cavalcante (Líder do PL), Cabo Gilberto, Coronel Chrisóstomo e Rodrigo da Zaeli.
O Ministro impediu que esses cinco parlamentares… pic.twitter.com/tcp0O9A7fH— Gilberto Silva (@cabogilberto) August 5, 2025
Segundo os parlamentares, decisão judicial teria impedido manifestação pacífica na Praça dos Três Poderes, em Brasília, além de incluir ameaça de prisão.
A representação sustenta violação à imunidade parlamentar e ao direito de livre manifestação. O documento também aponta situação considerada irregular: três dos cinco deputados não estavam na capital federal no momento da determinação.
Conforme o relato apresentado ao Senado:
- Sóstenes Cavalcante permanecia no Rio de Janeiro
- Cabo Gilberto Silva estava na Paraíba
- Rodrigo da Zaeli se encontrava em Mato Grosso
Para os autores do pedido, a ordem judicial teria violado garantias previstas na Constituição.
Prisão para Moraes
A repercussão do caso também provocou manifestações duras de parlamentares.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou: “Por muito menos, o Alexandre de Moraes já teria prendido o Alexandre de Moraes. Esse cara precisa sair do STF. Não é impeachment, não, ele precisa ir direto para a prisão. Responder por esses atos que não condizem com o magistrado”.
Outro integrante da oposição, o líder da minoria na Câmara, Gustavo Gayer (PL-GO), criticou a ausência de registros envolvendo a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, nas conversas extraídas do celular do banqueiro.
Segundo Gayer, até o momento não há conhecimento de troca de mensagens entre Vorcaro e a advogada nos dados analisados pela Polícia Federal.
A assessoria do ministro divulgou nota negando contato com Vorcaro.
“O ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”, informa o comunicado.
Código de ética
A crise política também reacendeu discussão interna sobre regras de conduta na Corte. O presidente do STF, Edson Fachin, anunciou intenção de criar um código de ética para o tribunal.
A proposta teria relatoria da ministra Cármen Lúcia. Segundo Fachin, a medida integra compromisso da atual gestão e busca reforçar a integridade institucional, ampliar a transparência e fortalecer a confiança pública no Judiciário.
Nos bastidores, porém, a iniciativa enfrenta resistência entre integrantes da Corte. Interlocutores indicam apoio restrito do ministro André Mendonça.
Entre os críticos da proposta aparecem Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Flávio Dino e Cristiano Zanin, conforme fontes ouvidas pela reportagem.
Há também questionamentos sobre a forma do anúncio feito por Fachin durante a abertura do ano judiciário. Alguns ministros defendem a análise do tema pelo Conselho Nacional de Justiça.
Foto: Luiz Silveira/STF
D1 com R7