O Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba vive um momento de debate interno e enfrenta o que a presidente estadual da legenda, deputada Cida Ramos, classificou como um dos maiores desafios do atual cenário político: o chamado “apoio cruzado”. A discussão ganhou força após o deputado federal Luiz Couto (PT) sinalizar apoio ao vice-governador e pré-candidato ao Governo do Estado, Lucas Ribeiro (PP), em posicionamento considerado precipitado pela direção partidária.
Em entrevista à rádio CBN Paraíba, nesta quarta-feira (21), Cida Ramos afirmou que a manifestação de Luiz Couto não representa uma decisão oficial do PT. Segundo ela, trata-se de uma posição individual, que expressa a opinião de um grupo interno, mas que não passou pelas instâncias formais da legenda.
“A decisão do partido não foi tomada. Quem fala oficialmente em nome do PT é a sua presidenta, após debate e deliberação dos seus órgãos”, destacou.
A dirigente ressaltou que o partido não está dividido, mas diante de uma dificuldade prática e política que precisa ser enfrentada com diálogo e maturidade. Cida lembrou que já existe uma orientação da direção nacional e da instância local do PT para o apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), o que torna o cenário ainda mais complexo.
“Não é o partido dividido. O partido tem que enfrentar esse desafio do apoio cruzado. Como operacionalizar isso, caso se decida por outro apoio? É uma discussão que precisa envolver tanto o nível local quanto o nacional”, explicou.
Cida Ramos também reforçou que decisões eleitorais no PT não são tomadas de forma individual. De acordo com ela, o partido está iniciando um processo de consulta aos diretórios estaduais, municipais e comissões provisórias em todas as regiões da Paraíba.
“Luiz Couto tomou uma decisão pessoal. Ele pediu uma audiência a Lucas Ribeiro para dizer que vai defender esse nome internamente. Agora, decisão de partido quem toma são as instâncias partidárias”, afirmou.
Apesar de reconhecer que a atitude do deputado federal causou desconforto, a presidente do PT avaliou que a situação foi compreendida internamente como uma ação isolada. Para Cida, o momento ainda é de amadurecimento das discussões, reforçando que qualquer definição oficial deverá respeitar o estatuto do partido, o debate coletivo e a busca pela unidade da legenda no estado.
Redação D1