A abertura da segunda comporta do Açude Engenheiro Ávidos, o Boqueirão de Piranhas, gerou nova onda de revolta entre os moradores do entorno do manancial, localizado entre Cajazeiras e São José de Piranhas. A medida, que aumenta o volume de água liberado em direção ao Rio Grande do Norte, foi interpretada pelos ribeirinhos como mais um episódio de descaso com a população sertaneja que depende do reservatório para sobreviver.
“Só foi começar a chover e entrar um pouco de água no açude que o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, juntamente com o DNOCS, já abriram a outra comporta. Isso é para o açude de Boqueirão não tomar água”, desabafou um morador ao jornal Gazeta do Alto Piranhas. O sentimento é de que, enquanto as águas da transposição chegam, os órgãos federais agem para que o volume não se acumule no reservatório paraibano.
A decisão do Ministério em liberar mais água do que a que entra via transposição tem causado queda significativa no nível do açude. Nem o ministério nem o DNOCS informam oficialmente a vazão liberada pelas comportas com destino ao Rio Grande do Norte. A situação agrava a vida dos pequenos produtores que vivem às margens do manancial e dependem dele para subsistência.
Atualmente, o Açude Engenheiro Avidos acumula apenas 50,9 milhões de metros cúbicos, o que representa 17,3% de sua capacidade total — um volume considerado crítico para a região. Os apelos da classe política e das comunidades ribeirinhas, até o momento, não foram suficientes para sensibilizar as autoridades federais a reporem a água ou reverem a política de operação do reservatório.
D1 com Coisas de Cajazeiras