Sessão na Câmara de Cajazeiras é marcada por embate acalorado entre vereadores do PSB e troca de acusações públicas; ouça

A segunda sessão ordinária de 2026 da Câmara Municipal de Cajazeiras, realizada na tarde e início da noite desta terça-feira (03), foi marcada por um clima de forte tensão e troca de agressões verbais entre os vereadores Raelza Borges e Alysson “Voz de Violão”, ambos filiados ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). O embate interrompeu o andamento normal dos trabalhos legislativos e exigiu diversas intervenções do presidente da Casa, vereador Lindemberg Farias.

A discussão teve início após falas anteriores do vereador Alysson “Voz de Violão”, que, sem citar nomes, teria feito comentários interpretados pela vereadora Raelza Borges como indiretas relacionadas a denúncias envolvendo a atual prefeita de Cajazeiras e a posicionamentos políticos do parlamentar. Ao subir à tribuna, Raelza adotou um tom duro e afirmou que não havia citado o colega anteriormente, mas que se sentiu provocada pelas declarações feitas.

“Fogo nada, e nem liguei pra ninguém pra sequer citar o nome de vossa excelência. Agora, só digo uma coisa: Deus ajude que o senhor não pegue a BR voltando pra fazer um percurso todo de Polícia Federal, de Tribunal de Contas, de Ministério Público Federal, pra tirar a denúncia que foi feita da prefeita atual, que a vossa excelência fez”, disparou a vereadora, elevando o tom do discurso.

Raelza também cobrou publicamente que Alysson esclarecesse seu posicionamento político, especialmente em relação às eleições estaduais. “Só quero pedir aqui no microfone dessa Casa que o senhor diga em quem vota pra deputada estadual. Não vai dizer a mim não, diga ao povo de Cajazeiras que está cobrando”, afirmou.

Em outro momento, a vereadora reagiu ao que considerou uma tentativa de intimidação, rebatendo qualquer insinuação de fragilidade por ser mulher. “Essa história de achar que Raelza é mulher, não. Pode vir, porque na hora que vier, vai ter embate. Sou mulher, mas honro a roupa que eu visto. Se o senhor não honra, eu honro”, declarou.

Diante das falas, o vereador Alysson “Voz de Violão” pediu a palavra e rebateu as acusações, negando ter citado nomes ou feito qualquer ataque direto à colega. “Eu sou responsável pelo que eu falo, não pelo que as pessoas entendem. Primeiro que eu não citei nome de ninguém”, afirmou, pedindo respeito e que sua palavra fosse garantida pelo presidente da Casa.

Em tom igualmente exaltado, Alysson ironizou a reação da vereadora e reforçou que não deve satisfações sobre suas escolhas políticas. “Quem vai julgar nós somos os eleitores. Eu não devo satisfação nem a você, nem a Jerismar, nem a Adjamilton”, disse, acrescentando que nunca declarou rompimento político com nenhum aliado. “Nunca ouviram Alysson Voz de Violão dizer que estava rompido nem com Tayron, nem com Chico. Quando eu romper, eu vou dizer quem é meu deputado”, completou.

O vereador também destacou sua trajetória política como forma de defesa. “Eu tô aqui com quatro mandatos. Se eu não tivesse honra, não seria eleito mais votado por quatro vezes”, afirmou, reforçando que não aceita ser acusado sem provas.

A discussão voltou a esquentar quando Raelza retomou a palavra, afirmando que decidiu ir à tribuna por não aceitar acusações veladas. “Eu fui para a tribuna porque quem cala consente. Eu não podia ficar calada com as acusações que o senhor fez ontem”, declarou, citando ainda a repercussão das falas na imprensa local.

Durante todo o embate, o presidente da Câmara, Lindemberg Farias, tentou conter os ânimos, pedindo calma aos parlamentares e solicitando que falassem um de cada vez. Em diversos momentos, ele precisou intervir para encerrar falas por excesso de tempo e para evitar que a discussão evoluísse para um confronto ainda mais intenso. “Vamos manter a discussão no nível”, apelou o presidente.

Mesmo após pedidos de ordem, Alysson voltou a reforçar sua posição, reiterando que não fez acusações diretas e que permanece aliado político até anunciar oficialmente qualquer rompimento. “Até hoje eu voto em Chico. Se eu romper amanhã, eu vou dizer. Eu não rompi ainda”, concluiu.

O episódio expôs divergências internas no PSB local e evidenciou um clima de desgaste político entre os parlamentares, repercutindo nos bastidores da política cajazeirense e chamando a atenção da população que acompanhava a sessão.

Ouça:

Redação D1

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