Queimadas crescem no Sertão da Paraíba e atingem áreas de preservação ambiental

O Sertão da Paraíba, conhecido por suas altas temperaturas, seca intensa e ventos fortes, tem se tornado uma região cada vez mais afetada pelas queimadas, impulsionadas por fatores como a baixa umidade do ar e a seca prolongada. No segundo semestre deste ano, três grandes incêndios destruíram partes da vegetação nativa da região. O mais recente ocorreu nesta semana, no Parque Nacional da Serra do Teixeira, próximo à cidade de São José do Bonfim. A Serra do Teixeira, que se tornou uma área de conservação em 2023, abrange 61.095 hectares de caatinga e envolve 12 municípios. Parte dessa área foi devastada pelas chamas, comprometendo a biodiversidade e a promoção de turismo na região.

Já no mês de setembro, um incêndio na Serra do Cruzeiro, também em São José do Bonfim, consumiu cerca de 40% da vegetação local, afetando mais de 400 hectares de área e resultando na morte de animais de pequeno porte. Em outubro, outro incêndio atingiu o Monumento Natural Vale dos Dinossauros, em Sousa, afetando uma importante área de patrimônio natural e turístico, o que causou a suspensão das atividades no local por dois dias.

O crescimento das queimadas na Paraíba tem sido expressivo. Em 2023, o estado registrou um total de 516 mil hectares queimados, com a maior concentração no Sertão. De acordo com dados do MapBiomas, entre 2013 e 2024, a área queimada na Paraíba aumentou em mais de 26%, e houve um crescimento alarmante de 110% nas queimadas entre 2024 e 2025. A região de Patos foi a mais afetada, com 1.188 ocorrências de queimadas no ano passado, seguida pela Região Metropolitana de Campina Grande (926 casos) e pela Região Metropolitana de João Pessoa (723).

O bioma da caatinga, que ocupa cerca de 90% do território da Paraíba, tem sido transformado de um bioma florestal para um bioma arbustivo e cada vez mais degradado devido às queimadas recorrentes. Ambientalistas alertam que a perda do bioma e a degradação do ambiente têm sido aceleradas, afetando a biodiversidade e a qualidade do solo. Para minimizar os riscos, o Corpo de Bombeiros recomenda a limpeza de terrenos baldios sem o uso de fogo, evitando práticas como acender fogueiras ou soltar fogos de artifício próximos a áreas de vegetação.

D1 com informações de O Poder

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