46 mil presos deixaram prisões na saidinha de Natal em 2025; número representa 6% do total em cadeias

Mais de 46 mil presos receberam o benefício da saidinha de Natal em 2025 e deixaram os presídios para passar o fim de ano em liberdade. O número representa6,5% dos cerca de 701 mil presos em cadeias pelo país, seja em regime fechado, semiaberto ou aberto.

Ao considerar presos em outros regimes, como a prisão domiciliar, o total de pessoas presas no Brasil chega a 937 mil, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

📉 Os dados mostram uma queda em relação ao Natal de 2024, quando 52 mil presos tiveram acesso ao benefício – um recuo de 11,5%.

A saidinha em datas festivas dura sete dias. Por isso, apenas em janeiro os estados poderão informar quantos presos não retornaram aos presídios.

Saidinha de Natal pelo Brasil

São Paulo:

Total de pessoas: 219.398

Saíram no Natal: 31.884

Rio de Janeiro:

Total de pessoas: 45.597

Saíram no Natal: 1.848

Paraná:

Total de pessoas: 42.686

Saíram no Natal: 1.338

Santa Catarina:

Total de pessoas: 30.000

Saíram no Natal: 2.182

Espírito Santo:

Total de pessoas: 25.021

Saíram no Natal: 410

Ceará:

Total de pessoas: 25.000

Saíram no Natal: 150

Pará:

Total de pessoas: 16.725

Saíram no Natal: 2.425

Distrito Federal:

Total de pessoas: 16.455

Sairam no Natal: 1.689

Bahia:

Total de pessoas: 16.443

Saíram no Natal: 799

Maranhão:

Total de pessoas: 12.551

Saíram no Natal: 736

Piauí:

Total de pessoas: 7.777

Saíram no Natal:510

Rondônia:

Total de pessoas: 7.665

Saíram no Natal: 152

Sergipe:

Total de pessoas: 6.400

Saíram no Natal: 823

Roraima:

Total de pessoas: 5.529

Saíram no Natal: 669

Tocantins:

Total de pessoas: 4.145

Saíram no Natal: 177

Amapá:

Total de pessoas: 3.800

Saíram no Natal: 330

São Paulo tem o maior número de presos beneficiados

São Paulo é o estado com o maior número de presos temporariamente liberados na saidinha. Ao todo, 31,8 mil pessoas deixaram as unidades prisionais, o que representa 15% da população carcerária estadual. Em 2024, o número foi semelhante, com 32,9 mil presos beneficiados.

Em outros estados, os números absolutos são menores, mas a proporção em relação ao total de presos se mantém. No Pará, 2,4 mil detentos foram liberados, o equivalente a 15% da população carcerária. Já em Santa Catarina, 2,1 mil presos receberam o benefício, o que representa 7% do total de pessoas encarceradas no estado.

    O Congresso não acabou com as saidinhas?

    Sim. Em maio de 2024, o Congresso Nacional aprovou o fim das saidinhas para visitas à família ou atividades de ressocialização. Pela nova lei, o benefício ficou restrito apenas a presos que saem para estudar, como ensino médio, superior, supletivo ou cursos profissionalizantes.

    ⚖️ No entanto, de acordo com o artigo 5º da Constituição Federal, uma lei penal mais grave não pode ser aplicada a crimes cometidos antes de a nova lei entrar em vigor.

    “E por conta disso se entende que os regimes de cumprimento de pena e os benefícios da execução da pena também se submetem a este princípio que a lei penal mais grave não se aplica a crimes ocorridos antes do início de vigência da lei”, explicou Gustavo Badaró, advogado e professor de processo penal da Faculdade de Direito da USP.

    Com isso, a proibição das saidinhas só vale para presos que cometeram o crime, foram condenados e começaram a cumprir pena após a nova lei.

    “Dificilmente hoje nós temos alguém que já está condenado em definitivo e cumprindo pena por um crime que cometeu depois da mudança da lei que proibiu a saidinha. Nos próximos anos, sim, quanto mais o tempo for passando, a tendência é que cada vez menos presos tenham direito à saidinha temporária”, explicou o jurista.

    D1 com g1

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