O conflito no Oriente Médio já começa a impactar o setor de carnes brasileiro, especialmente nos segmentos de frango e bovino. Os efeitos são sentidos tanto na logística quanto nos custos de produção, criando desafios para os exportadores nacionais que dependem da região como destino para seus produtos.
Os impactos variam conforme o tipo de carne. O setor suíno é o menos afetado, uma vez que a região não é tradicionalmente consumidora desse produto por questões religiosas e culturais. Por outro lado, o setor de frango enfrenta consequências mais severas, já que aproximadamente 27% das exportações brasileiras desse produto são destinadas aos países do Oriente Médio.
Aumento de custos logísticos
Um dos principais problemas enfrentados pelo setor é o aumento dos custos logísticos. Os fretes marítimos estão mais caros devido à elevação dos valores de seguros para embarcações que precisam passar por áreas de conflito. Além disso, há atrasos nas entregas e algumas cargas que já estavam em trânsito podem ficar indefinidamente adiadas. A valorização do dólar e a alta do preço do petróleo também contribuem para o aumento dos custos produtivos, tanto de forma direta quanto indireta.
Para a carne bovina, a região representa cerca de 5% das exportações brasileiras. Embora esse percentual pareça pequeno quando comparado ao total exportado, o impacto ganha relevância quando considerado junto a outros desafios que o setor já enfrentava. As recentes medidas de salvaguarda impostas pela China, que limitaram a cota de importação para 1,1 milhão de toneladas em 2026 (contra 1,7 milhão exportadas pelo Brasil em 2023), já representavam uma dificuldade para o setor que agora se vê diante de mais um obstáculo.
Incertezas no mercado
A duração do conflito é uma incógnita que preocupa o setor, pois quanto mais tempo durar, maiores serão os impactos na cadeia produtiva brasileira. Uma das possíveis soluções mencionadas para o problema da carne bovina seria a realização de operações de arbitragem, onde o Brasil exportaria para outros países que, por sua vez, manteriam suas exportações para a China. Essas operações trianguladas poderiam ajudar a contornar as limitações impostas pelas cotas chinesas, sem ferir acordos comerciais.
As dificuldades logísticas de passagem pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio marítimo internacional, somam-se aos desafios já existentes. O cenário atual exige que o setor busque alternativas para minimizar os impactos e manter sua competitividade no mercado global, enquanto o conflito no Oriente Médio segue sem previsão de término.
D1 com CNN/Brasil