Contador Tiago Angélico explica inflação, juros, reforma tributária e outros temas da economia; assista

Em entrevista ao programa Boca Quente Parte 2, o contador Tiago Angélico analisou o cenário econômico brasileiro e explicou como diferentes indicadores influenciam a vida das empresas e dos consumidores. Entre os assuntos abordados estiveram a inflação, o comportamento do consumo, o aumento dos pedidos de recuperação judicial e as mudanças previstas com a reforma tributária.

Um dos primeiros temas discutidos foi o funcionamento dos índices de inflação. Tiago explicou que o IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial, com cálculo realizado entre o dia 16 do mês anterior e o dia 15 do mês de referência. O índice é calculado pelo IBGE a partir de nove categorias de produtos e serviços, como alimentação e transporte, que possuem pesos diferentes na composição do resultado.

Segundo o contador, a percepção do consumidor nem sempre acompanha imediatamente os números oficiais da inflação. Fatores psicológicos e sazonais, como créditos na conta de luz, podem dificultar a percepção de uma eventual queda dos preços. Além disso, o consumidor tende a perceber com mais facilidade os aumentos do que as reduções.

Tiago também chamou atenção para a abrangência do IPCA. O índice representa principalmente a realidade econômica de grandes centros metropolitanos e, por isso, seus resultados não necessariamente refletem de forma precisa o comportamento da economia em cidades menores, como Cajazeiras.

Durante a entrevista, ele ainda diferenciou o IPCA do INPC, que é voltado às famílias de menor renda, e comentou sobre o IGP-M, índice mais relacionado ao mercado.

Consumo mantém setores aquecidos, mas varejo sente impacto

Outro ponto abordado foi a aparente contradição entre as reclamações do comércio e a movimentação observada em estabelecimentos como restaurantes e shoppings.

Tiago explicou que essa diferença está relacionada à hierarquia de consumo das famílias. Mesmo diante das dificuldades econômicas, os consumidores tendem a preservar despesas consideradas essenciais, como alimentação, energia e transporte, enquanto reduzem ou adiam gastos considerados supérfluos.

Esse comportamento acaba afetando diretamente o setor varejista. O cenário é agravado pelo alto nível de endividamento das famílias e pela taxa SELIC elevada, que aumenta o custo do crédito e reduz a capacidade de consumo.

Juros altos pressionam empresas e aumentam pedidos de recuperação judicial

Tiago Angélico também analisou o crescimento expressivo dos pedidos de recuperação judicial no país. De acordo com o contador, muitas empresas assumiram dívidas durante um período em que as taxas de juros estavam em patamares baixos, entre 2% e 3%.

Com a elevação dos juros para níveis próximos de 14%, o custo dessas dívidas aumentou significativamente. A mudança também encareceu o capital de giro e pressionou o fluxo de caixa das empresas, inclusive de grandes redes.

Reforma tributária exigirá decisões estratégicas dos empreendedores

A reforma tributária foi outro destaque da entrevista. Tiago explicou as mudanças relacionadas à transição para o novo sistema de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que envolverá a CBS e o IBS.

A proposta tem como um dos principais objetivos simplificar a tributação sobre o consumo. No caso das empresas enquadradas no Simples Nacional, o novo modelo deverá exigir decisões estratégicas a partir de 2027, especialmente em relação à forma de tributação e à manutenção da competitividade.

Entre as novidades está o chamado Split Payment, sistema pelo qual o imposto será separado automaticamente no momento da realização da venda. Segundo Tiago, o mecanismo deverá tornar o processo de recolhimento dos tributos mais robusto.

Diante dessas mudanças, o contador deverá assumir uma função ainda mais estratégica dentro das empresas. Além das obrigações tradicionais, o profissional terá papel consultivo na tomada de decisões, ajudando os empreendedores a se adaptarem ao novo sistema tributário e a organizarem o capital de giro.

A entrevista reforçou, portanto, que o cenário econômico exige atenção não apenas aos indicadores nacionais, mas também ao comportamento dos consumidores, ao custo do crédito e às mudanças na legislação tributária, fatores que podem determinar diretamente a saúde financeira e a competitividade das empresas.

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