Gilmar Mendes pede vista, mas STF já tem maioria para manter afastamento da cúpula da Polícia Federal

O julgamento virtual extraordinário da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já conta com maioria de votos para referendar o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A conclusão da sessão, no entanto, foi interrompida após pedido de vista apresentado pelo ministro Gilmar Mendes.

Após o pedido de vista, os ministros Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam os votos e acompanharam integralmente o entendimento do relator, ministro André Mendonça. Como a Segunda Turma é formada por cinco ministros, os três votos favoráveis já representam a maioria necessária para manter a decisão. Mesmo com a suspensão do julgamento, a liminar individual de Mendonça, que determinou o afastamento imediato das autoridades e suspendeu a produção de relatórios sobre a atuação de magistrados e defensores públicos, permanece em vigor.

A crise que resultou no afastamento da cúpula da Polícia Federal se intensificou no início de setembro de 2026, quando o Partido Novo acionou o STF após mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Bueno Vorcaro fazerem menção direta ao nome “Andrei”, identificado pela própria PF como o diretor-geral Andrei Rodrigues. A situação se agravou depois que o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo de seis “relatórios de inteligência” produzidos de forma oculta pela PF ao longo de agosto.

Na análise dos documentos, André Mendonça afirmou ter constatado que ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias, eram alvo de um “monitoramento sistemático e de coleta dirigida” de dados. Diante das suspeitas de espionagem ilegal por meio de relatórios considerados apócrifos e sem validade jurídica, Mendonça comparou a estrutura montada na PF à distopia literária “1984”, de George Orwell, e citou precedentes do STF que proíbem o uso da inteligência do Estado para “bisbilhotar” ou “fichar” autoridades e cidadãos.

Difusora1 com informações do G1

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