Especialistas em segurança pública avaliam que as medidas propostas pelo governo Donald Trump para flexibilizar a venda de armas nos Estados Unidos podem facilitar o acesso de facções criminosas brasileiras a armamentos pesados. Entre as mudanças estão a compra de armas pelos correios, a redução do tempo de guarda dos registros de venda e regras mais brandas para consulta de antecedentes dos compradores. Segundo estudo citado pelos pesquisadores Bruno Langeani e Natalia Pllachi, 54% dos 1,7 mil fuzis ilegais apreendidos no Sudeste entre 2019 e 2023 tiveram origem nos EUA.
De acordo com Bruno Langeani, consultor sênior do Instituto Sou da Paz, a flexibilização pode ampliar o envio de armas desmontadas ao Brasil, já que peças semiprontas passam com mais facilidade pelas alfândegas. O pesquisador também destacou que a redução do controle sobre a exportação de armas aumenta o risco de desvio para organizações criminosas. O cientista social Robson Rodrigues, da Uerj, afirmou que o fortalecimento do lobby armamentista nos EUA pode ampliar a oferta de armas para o mercado ilegal na América Latina.
Os especialistas também apontam uma contradição na política do governo norte-americano, que endurece o discurso contra cartéis de drogas, mas flexibiliza o acesso a armas. Segundo eles, o combate ao crime organizado exige ações tanto contra a oferta de drogas quanto contra o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro. Dados da Associação Comercial da Indústria de Armas de Fogo (NSSF) mostram que, entre 2008 e 2024, o faturamento do setor nos EUA cresceu 379%, alcançando US$ 91,7 bilhões.
Difusora1 com informações do Portal Correio e Agência Brasil